A delegada da Polícia Civil do Pará Maria Virgínia Grimwood Pinto é suspeita de ter recebido R$ 50 mil por meio de uma transferência via Pix de um homem conhecido como “Gordão”, apontado pela Polícia Civil de Pernambuco como uma das lideranças do Primeiro Comando da Capital (PCC). A investigação apura se a policial teria utilizado seu acesso a sistemas institucionais para consultar informações sobre o suspeito e compartilhar dados relacionados a possíveis procedimentos policiais.
Segundo o delegado Ney Luiz, responsável pelo Departamento de Repressão ao Narcotráfico (DENARC), as conversas analisadas pelos investigadores indicariam que a delegada consultava bases policiais para verificar a existência de ações contra o homem. Ela também teria transmitido informações sobre apurações que poderiam envolver o suspeito e outros integrantes da organização criminosa.
Prisão em Brasília e suspeita de benefícios financeiros
Maria Virgínia foi presa na quinta-feira (15), em um hotel de Brasília, durante a Operação Sinalagma. De acordo com a Polícia Civil de Pernambuco, a investigada foi monitorada por equipes que atuavam na capital federal, com participação de integrantes da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO), além de policiais militares e federais.
Ainda conforme Ney Luiz, “Gordão” também teria arcado com despesas de viagens da delegada a Pernambuco. Entre os destinos mencionados na investigação estão Porto de Galinhas e Serrambi, localidades turísticas do litoral pernambucano.
Ao ser questionado sobre a possibilidade de os dois manterem um relacionamento amoroso, o delegado respondeu: “Aparentemente, sim”. Ney Luiz acrescentou que o homem teria convidado a policial para visitar Pernambuco, pago as passagens e solicitado que ela viajasse sem acompanhantes.
Suspeita de ligação teria surgido após ocorrência no Pará
Os investigadores trabalham com a hipótese de que o contato entre “Gordão” e Maria Virgínia tenha começado em 2024, no Pará. Naquele período, o homem foi levado a uma delegacia após um episódio de trânsito que teria envolvido uma colisão entre veículos e uma discussão. A equipe responsável pelo atendimento incluía a delegada e outro delegado.
Segundo as informações da investigação, o suspeito acabou liberado mesmo estando, supostamente, em posse de um documento falso. A Polícia Civil de Pernambuco apura se houve pagamento a policiais para viabilizar a liberação. Até a conclusão das investigações, essa hipótese permanece sob apuração.
Depois de deixar o Pará, o homem seguiu para Pernambuco. Em janeiro de 2025, ele foi preso em Porto de Galinhas, no município de Ipojuca, em cumprimento a um mandado expedido pela Justiça de São Paulo.
A prisão levou a Polícia Civil pernambucana a aprofundar as investigações sobre a atuação do suspeito no estado. Os trabalhos passaram a incluir a análise de possíveis vínculos com agentes públicos do Pará, contexto em que surgiram as suspeitas envolvendo a delegada.
