Na última terça-feira (23), durante um evento realizado na Casa Branca, Donald Trump declarou que o uso de Tylenol durante a gravidez poderia causar autismo. O presidente afirmou que mulheres grávidas deveriam “aguentarem” dor e febre e recomendou que pais não dessem o medicamento a crianças. Especialistas em obstetrícia, pediatria e autismo destacaram que não existem evidências científicas que confirmem relação entre paracetamol e autismo, reforçando que o remédio é considerado a opção mais segura para gestantes sob supervisão médica. As informações são do O Globo.
Trump associou o crescimento de diagnósticos de autismo ao consumo de paracetamol, mas estudos apontam resultados diferentes. Uma revisão de 46 pesquisas identificou associações em alguns trabalhos, porém sem comprovar causalidade. O epidemiologista Zeyan Liew, professor associado em Yale, afirmou: “Minha opinião é que certamente é algo importante a se considerar, mas eu não diria definitivamente que é uma causa para o autismo, que é um distúrbio complexo com causas multifatoriais”.



O que dizem os estudos científicos
Um levantamento realizado na Suécia com 2,5 milhões de crianças não encontrou relação entre o uso do medicamento e o autismo ao analisar irmãos. A Food and Drug Administration (FDA), a Agência Europeia de Medicamentos e a Sociedade de Medicina Materno-Fetal classificaram as evidências como inconclusivas.
A médica Judette Louis, da Sociedade de Medicina Materno-Fetal, explicou: “As pessoas sempre esquecem que, quando falam sobre tratamentos e riscos associados a eles, também deveriam compará-los aos riscos de não tratar”. Judette Louis ressaltou que febres não tratadas podem levar a complicações como parto prematuro e defeitos congênitos.
Steven Fleischman, presidente do Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas, acrescentou: “Não dizemos às pessoas para tomarem um Tylenol por dia para ajudar a manter a saúde da gravidez. Só dizemos às pessoas para tomarem se precisarem”. Fleischman completou: “O que continuaremos a dizer aos nossos pacientes é que, quando necessário, o Tylenol é considerado um medicamento seguro para uso na gravidez. Acho que o risco de febre é maior do que qualquer risco que já vi relacionado ao paracetamol”.
Orientações para uso em crianças
O pediatra Brennan Baker, do Hospital Infantil de Seattle, destacou que o paracetamol é um medicamento que pode “facilmente” ser consumido em excesso. Nos Estados Unidos, a intoxicação relacionada ao uso inadequado gera mais de 50 mil atendimentos anuais em emergências.
Steven Fleischman orientou que nem toda febre precisa de tratamento imediato. Segundo o médico, “Você precisa tratar uma febre de 37°C? Não, eu não faria isso. Mas se você tivesse um bebê com febre alta e soubesse que convulsões febris ocorrem, eu trataria a febre”.
Outros analgésicos, como ibuprofeno, não são recomendados para crianças menores de seis meses. A aspirina só deve ser administrada com indicação médica devido ao risco de síndrome de Reye.
