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Ensino médio: 1 em cada 5 jovens não conclui formação no Brasil; veja!

Os dados são do relatório Education at a Glance 2026, produzido anualmente pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE)
Adolescente morre após ataque com tesoura dentro da sala de aula (Foto Reprodução Redes Sociais)

Adolescente morre após ataque com tesoura dentro da sala de aula (Foto Reprodução Redes Sociais)

Um em cada cinco alunos do ensino médio no Brasil não conclui essa etapa e não permanece matriculado por dois anos após o período previsto para a conclusão. As informações são do relatório Education at a Glance 2026, publicado na terça-feira (29). Elaborado anualmente pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), um grupo de países desenvolvidos, o relatório possibilita a comparação de indicadores educacionais entre as principais economias globais e países parceiros, incluindo o Brasil.

Número

Esse número corresponde a 20% dos estudantes da etapa no país, em comparação com 12% na média dos países avaliados pela organização. No Brasil, 79% dos novos alunos terminam o ensino médio nesse intervalo, ao passo que a média global é de 85%. Em outras palavras, a porcentagem de alunos que finalizam a etapa é 6 pontos percentuais menor no país.

Ricardo Henriques, superintendente executivo do Instituto Unibanco, explica que a saída da escola raramente acontece de uma vez. Ela costuma ser precedida por faltas frequentes, dificuldades de aprendizagem acumuladas, reprovações e uma perda gradual do vínculo com a escola. 

“Para muitos jovens, essas dificuldades se somam à necessidade de trabalhar e às pressões econômicas da família. Quando a escola percebe o problema apenas no momento em que o estudante deixa de aparecer, já perdeu oportunidades de agir”, contextualiza. 

Segundo o especialista, a resposta precisa começar cedo, por meio do acompanhamento da frequência e aprendizagem, identificação dos sinais de afastamento, oferta de apoio pedagógico e uma conversa individual com o jovem e sua família. 

“Também é preciso reduzir as barreiras econômicas à permanência e oferecer um ensino médio que faça sentido para diferentes projetos de vida, inclusive com caminhos de formação técnica, sem abrir mão de uma formação geral sólida”, diz. 

Ele reforça que a meta não pode ser apenas manter o estudante matriculado. “Ele precisa aprender, concluir o ensino médio e encontrar possibilidades reais para o passo seguinte. Isso exige uma escola apoiada por uma rede capaz de acompanhar cada trajetória e agir antes que o afastamento se torne definitivo”, aponta. 

Henriques comenta ainda o papel que políticas públicas, como o Pé-de-Meia, podem ter nesse cenário. Implementado em novembro de 2023, o programa funciona como uma poupança destinada a apoiar a permanência e a conclusão escolar de estudantes do ensino médio beneficiários do Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico). 

“O programa vai na direção correta ao enfrentar uma das barreiras à permanência na escola: a pressão econômica sobre os jovens e suas famílias. Os estudos preliminares apontam efeitos positivos na redução da evasão, mas precisamos acompanhar os resultados e aperfeiçoar o programa com base em evidências”, garante o especialista. 

No Pé-de-Meia, ao comprovar matrícula e frequência, o estudante recebe o pagamento de R$ 200 mensais, que podem ser sacados em qualquer momento. O beneficiário ainda recebe R$ 1.000 ao final de cada ano concluído, que só podem ser retirados da poupança após a formatura no ensino médio. Considerando as parcelas de incentivo, os depósitos anuais e o adicional de R$ 200 pela participação no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), os valores chegam a R$ 9.200 por aluno. 

alfinetei

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