Na última terça-feira (9), o primeiro-ministro do Nepal, KP Sharma Oli, apresentou renúncia após a escalada da violência que tomou conta do país. Pelo menos 19 pessoas morreram e mais de 400 ficaram feridas em confrontos entre manifestantes e forças de segurança em Katmandu e outras cidades.
Os protestos, conduzidos por jovens da chamada Geração Z, começaram após o bloqueio de redes sociais, mas cresceram com denúncias de corrupção e falta de oportunidades econômicas. As informações são da CNN.





Saiba o que motivou os protestos
A revolta contra o governo vinha crescendo há anos devido à corrupção endêmica e ao desemprego elevado entre jovens. A decisão de bloquear plataformas como Facebook, Instagram, YouTube e WhatsApp na semana passada foi o estopim para que milhares saíssem às ruas. O governo justificou a medida como forma de combater notícias falsas e discurso de ódio, mas grupos de direitos humanos denunciaram a ação como autoritária.
Segundo o Banco Mundial, a taxa de desemprego entre jovens de 15 a 24 anos chegou a 20,8% em 2024, e muitos nepaleses dependem de empregos precários no exterior para sustentar suas famílias. Um movimento online contra os chamados “Nepo Kids”, filhos de políticos exibindo estilos de vida luxuosos, também acentuou a indignação popular.
“Todos os cidadãos nepaleses estão fartos da corrupção. Todos os jovens estão indo para fora do país. Então, queremos proteger nossos jovens e melhorar a economia do país”, afirmou um manifestante à Reuters.
Protestos se tornam mortais
Na segunda-feira (8), milhares de pessoas marcharam em direção ao Parlamento em Katmandu. A polícia reagiu com munição real, balas de borracha, gás lacrimogêneo e canhões de água. Manifestantes incendiaram veículos, incluindo uma ambulância, e ergueram barricadas.
“A polícia está atirando indiscriminadamente”, disse um jovem à agência indiana ANI. Autoridades locais confirmaram 17 mortos em Katmandu e 2 em Itahari, além de centenas de hospitalizados.
Durante a onda de violência, a casa do ex-primeiro-ministro Jhala Nath Khanal foi incendiada. A esposa, Ravi Laxmi Chitrakar, sofreu queimaduras graves e morreu após ser levada ao hospital em estado crítico, segundo a News 18, afiliada da CNN na Índia. Outros líderes políticos também foram atacados.
Reação internacional do que aconteceu
Organizações internacionais condenaram a repressão. O escritório de direitos humanos da ONU declarou estar “chocado” com as mortes e exigiu uma investigação “transparente”. A Anistia Internacional também afirmou que o uso de força letal contra manifestantes desarmados viola o direito internacional.
Além da renúncia de KP Sharma Oli, ministros da Agricultura, Água, Saúde e Interior abandonaram seus cargos em protesto contra a condução da crise. Em carta divulgada nas redes sociais, Oli justificou sua saída pela “situação extraordinária” no país e disse estar “profundamente triste” com a tragédia.
Mesmo após a renúncia, manifestantes voltaram às ruas desafiando o toque de recolher e comemoraram a suspensão temporária da proibição das redes sociais. O jornal mais vendido do Nepal publicou editorial exigindo a saída imediata de Oli, afirmando que o primeiro-ministro “não pode ficar na cadeira por mais um minuto” diante do derramamento de sangue.
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