Na última sexta-feira (26), um estudo conduzido pela UCLA Health apontou que um número crescente de mulheres tem recorrido ao congelamento de óvulos, com adesão cada vez mais precoce. Apesar disso, a quantidade de pacientes que retornam para utilizar o material preservado permanece pequena. As informações são do O Globo.
Entre 2014 e 2021, os ciclos de congelamento eletivo de óvulos passaram de 4.153 para 16.436, representando quase uma quadruplicação. No entanto, apenas 5,7% das mulheres que congelaram seus óvulos entre 2014 e 2016 voltaram a usá-los no período de acompanhamento de cinco a sete anos.

Mulheres mais velhas apresentam maior taxa de retorno
O levantamento, publicado no American Journal of Obstetrics and Gynecology, indicou também que a idade média das mulheres caiu de 36 anos em 2014 para 34,9 anos em 2021. As taxas de retorno, porém, foram mais elevadas em faixas etárias mais avançadas: 7,9% entre 38 e 40 anos e 8% entre 41 e 42 anos chegaram a utilizar os óvulos congelados.
Segundo Lindsay Kroener, professora clínica associada da Escola de Medicina David Geffen da UCLA e autora sênior do estudo, o resultado mostra uma mudança significativa no comportamento reprodutivo. “Este é o maior estudo dos EUA até o momento sobre preservação eletiva da fertilidade, revelando insights sobre a clara mudança no comportamento reprodutivo à medida que mais mulheres adiam a gravidez para buscar educação, carreira e objetivos pessoais”, afirmou.
Baixa utilização pode estar ligada ao tempo de acompanhamento
Os pesquisadores destacaram que o curto prazo de análise pode ter influenciado a baixa taxa de utilização, especialmente entre as mulheres mais jovens. “Com o tempo, podemos descobrir que mais pacientes jovens acabam retornando para usar seus óvulos”, explicou Kroener.
Os dados utilizados para a pesquisa vieram do SART-CORS, banco que reúne mais de 90% dos procedimentos de reprodução assistida nos Estados Unidos.
Outro ponto ressaltado foi que as taxas de sucesso em nascimentos vivos com óvulos congelados foram semelhantes às médias nacionais da fertilização in vitro com óvulos frescos, o que reforça a viabilidade do método.
Para Mabel Lee, médica especialista da UCLA Health e autora principal do estudo, os resultados são encorajadores. “É reconfortante saber que a preservação planejada de ovócitos pode ser uma boa opção para pacientes que buscam mais flexibilidade no planejamento familiar”, afirmou.
