O ex-seminarista Brendo Silva, de 33 anos, lançou um livro polêmico, que promete abalar as estruturas da Igreja Católica no Brasil. Intitulada A Vida Secreta dos Padres Gays, a obra traz relatos chocantes sobre a vida íntima de religiosos, desde padres recém-ordenados até bispos influentes.
Brendo, agora especialista em sexualidade e religião passou sete anos como seminarista antes de abandonar o caminho eclesiástico. “Não queria viver uma vida dupla”, disse ele, em entrevista ao portal Metrópoles. Para ele, o celibato obrigatório na Igreja Católica funciona como uma cortina de fumaça para a homossexualidade. “É uma proteção, por isso é defendido com unhas e dentes. Sem a capa do celibato, a sociedade forçaria os padres, em sua maioria, a casarem com mulheres, porque jamais a gente imagina o catolicismo aprovando o casamento gay. Com o fim do celibato, a sociedade ia questionar por que os padres não se casam [com mulheres] mesmo sendo permitido”, apontou.



Além disso, o escritor diz que vê o celibato como uma mentira. “A maioria dos poucos padres héteros que eu convivi, que era tipo dois em 30, por exemplo, tinha vida dupla, tinha namorada”, afirmou. Após a publicação do livro, ele revelou que ao menos cinco mulheres o procuraram para contar que tiveram filhos com sacerdotes.
Mas não para por aí! De acordo com informações de Brendo, há uma cadeia de relações sexuais entre religiosos que vai desde os coroinhas até cargos altos, como bispos e arcebispos. Ele relembra um caso de 2013, quando ainda era seminarista e um arcebispo costumava pedir fotos suas sem camisa, elogiando as imagens enviadas.
Já entre 2016 e 2017, Brendo relata que manteve encontros íntimos com um bispo que havia sido reitor da Igreja da Aparecida, no interior paulista, antes de atuar no Amazonas. “Ele me chamou no Facebook para almoçar na Praça da República, quando eu já era ex-seminarista. A gente foi a uma churrascaria, e, depois, ele foi encaminhando a conversa pra uma coisa mais sexualizada. No fim da história, a gente acabou num quarto de motel”.
Festa
Um dos relatos mais marcantes do livro, é o de uma festa organizada por religiosos de uma diocese no interior paulista, em um sítio em São José do Rio Pardo. O evento, marcado por beijos e carícias entre seminaristas e padres, teria sido promovido por membros de um grupo fechado no Facebook. “Nesses encontros, tinha beijo, pegação”, contou Brendo.
Atualmente, Brendo se declara ateu, e revela que saiu da igreja por vontade própria. “Não fui expulso, não fui mandado embora. As pessoas que não conhecem tentam mudar o argumento. Porém, eu tenho até cartas dos padres me recomendando, falando bem de mim. Nunca aconteceu nenhum escândalo comigo. Nunca teve problema. Eu saí de cabeça erguida da igreja. Isso é o que eles têm mais raiva, porque, se eles tivessem me expulsado, eles teriam esse argumento, mas não aconteceu nada. Eu saí porque quis mesmo”, relatou.
