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Fabricante critica oferta de Mounjaro manipulado no SUS; saiba motivo

Laboratório afirma que versão distribuída não é o Mounjaro aprovado pela Anvisa
Ozempic e Mounjaro (Foto: Reprodução)

Ozempic e Mounjaro (Foto: Reprodução)

A farmacêutica Eli Lilly criticou na segunda-feira (02/03) a decisão da Prefeitura de Urupês, no interior de São Paulo, de disponibilizar na rede pública uma versão manipulada de tirzepatida para tratamento da obesidade. O posicionamento foi divulgado após o anúncio oficial do programa municipal. As informações são do O Globo.

O município, com cerca de 13,7 mil habitantes, informou que oferecerá gratuitamente o medicamento a moradores com obesidade, dentro de um protocolo que prevê acompanhamento por equipe multidisciplinar.

Laboratório questiona legalidade e segurança da medida

Em comunicado, a fabricante do Mounjaro declarou compreender “a urgência que os administradores públicos sentem ao enfrentar a obesidade” e reconhecer a “genuína intenção” da iniciativa local.

A empresa, contudo, manifestou preocupação com a execução do programa. “No entanto, estamos profundamente preocupados com o fato de que o programa, conforme anunciado, está colocando cidadãos em risco. Imagens do anúncio do município revelam que o produto sendo distribuído é uma versão manipulada em escala industrial da tirzepatida — e não o Mounjaro da Lilly. Preocupa-nos que os pacientes possam não estar cientes dessa distinção e creditem estar recebendo um medicamento aprovado pela Anvisa quando, na verdade, não estão”, informou o laboratório.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária aprovou apenas o Mounjaro como versão de tirzepatida no país, indicado para diabetes tipo 2 e obesidade. A patente do produto permanece válida até 2036, o que impede a produção de genéricos ou similares por outras indústrias farmacêuticas.

A legislação brasileira autoriza farmácias de manipulação a preparar medicamentos personalizados com base em prescrição médica, quando há necessidade específica de dose ou apresentação não disponível comercialmente. Essas farmácias não podem manter estoque nem realizar propaganda dos produtos preparados.

Segundo a Eli Lilly, a oferta em larga escala diretamente à população extrapola os limites legais para manipulação. O laboratório afirmou que identificou, no Brasil e em outros países, versões manipuladas de tirzepatida com contaminação bacteriana, presença de endotoxinas, impurezas relevantes ou composição química diferente da aprovada.

“Os pacientes que recebem esses produtos não têm como saber o que está sendo administrado a eles. Boas intenções não compensam esses riscos. A segurança do paciente deve sempre vir em primeiro lugar”, declarou a empresa. A nota também afirma que “A Lilly convida o prefeito de Urupes a reavaliar, com a devida urgência, a distribuição desses produtos e manifestamos nossa abertura para um diálogo construtivo sobre as prioridades de saúde pública do município”.

Prefeitura prevê atendimento a 200 pacientes

A Prefeitura de Urupês anunciou que o fornecimento será destinado inicialmente a pessoas em fila para cirurgia bariátrica e em situação de vulnerabilidade social, sem condições de arcar com o tratamento na rede privada. A previsão é atender até 200 pacientes de forma escalonada.

O protocolo foi oficializado por decreto publicado no dia 13 e estabelece acompanhamento com endocrinologista, nutricionista, psicólogo, educador físico e assistente social.

Para participar, o paciente deverá ter 40 anos ou mais, salvo nos casos em que o índice de massa corporal ultrapasse 40 kg/m². O regulamento exige diagnóstico de obesidade com IMC igual ou superior a 35 kg/m² associado a pelo menos uma comorbidade relevante, ou IMC igual ou superior a 30 kg/m² com no mínimo duas comorbidades. Também será necessária comprovação de tentativa de tratamento não farmacológico por pelo menos seis meses.

A administração municipal informou que, quando não houver indicação para uso da medicação, o acompanhamento continuará com orientação alimentar, prática de atividade física e suporte psicológico.

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