A família de Marcos Matsunaga decidiu se manifestar sobre a forma como o assassinato do empresário foi apresentado em uma nova produção audiovisual. Por meio do advogado Luiz Flávio D’Urso, os pais do herdeiro da Yoki contestaram diferentes pontos do filme e afirmaram que a história apresentada não corresponde ao que foi apurado durante o processo judicial.
Em entrevista ao programa de Paulo Mathias, D’Urso classificou a produção como uma obra de ficção e afirmou que a narrativa adotada seria favorável a Elize Matsunaga, condenada pelo crime. Segundo ele, a família de Marcos nunca tentou interferir no julgamento e sempre confiou na decisão da Justiça.
Família nega que Elize tenha sido maltratada
Um dos pontos questionados pelos pais do empresário é a maneira como a relação entre Elize e a família de Marcos aparece na produção. Segundo D’Urso, o filme transmite a ideia de que ela teria sido desprezada pelos parentes do marido, o que, de acordo com a defesa, não aconteceu.
O advogado afirmou que Elize foi recebida e amparada pela família. Ele também negou a existência de relatos que apontassem Marcos como uma pessoa agressiva ou rude com a esposa.
D’Urso lembrou ainda que a própria Elize teria afirmado durante o processo que o empresário nunca havia usado violência física contra ela e que sempre a tratou bem.




Laudos apontam outra causa para a morte
Para o advogado, uma das maiores diferenças entre a produção e o que consta no processo está na descrição dos últimos momentos de Marcos.
Segundo os laudos periciais citados por D’Urso, o disparo que atingiu a cabeça do empresário não teria sido a causa direta da morte. A conclusão apresentada pelo advogado é de que Marcos morreu por asfixia provocada pela aspiração de sangue durante a degola.
Dessa forma, segundo a versão apresentada pela defesa da família, o esquartejamento teria começado enquanto Marcos ainda estava vivo, embora estivesse em coma após o disparo.
Defesa aponta planejamento antes do crime
D’Urso também contestou a ideia de que o assassinato teria sido resultado apenas de uma reação impulsiva. Segundo ele, elementos do processo indicam que houve preparação antes da morte do empresário.
Entre os pontos citados está a compra de uma serra elétrica após uma viagem feita pela família. O advogado também afirmou que Elize teria buscado provas da suposta traição de Marcos antes do crime e conduzido a situação de maneira a sustentar uma versão de abandono.
Após o assassinato, segundo D’Urso, ela teria tentado convencer familiares e funcionários de que Marcos havia deixado a família para ficar com outra mulher.
Viagem ao Paraná teria outro motivo
Outro ponto contestado é a versão de que Elize teria desistido de levar os restos mortais de Marcos ao Paraná porque a filha do casal teria ficado doente.
Segundo D’Urso, os documentos do caso não indicariam que a criança estivesse com febre ou enfrentando algum problema de saúde naquele momento. Para ele, o verdadeiro motivo para a mudança de planos teria sido uma abordagem policial durante a viagem, relacionada à documentação irregular do veículo.
O advogado afirmou que a intenção seria levar os restos mortais para outro estado e dificultar a ligação entre o desaparecimento de Marcos e o crime ocorrido em São Paulo.
Elize cumpre pena em regime aberto
Elize Matsunaga foi condenada a 16 anos e três meses de prisão pelo assassinato e pela ocultação do cadáver de Marcos. Ela deixou o regime fechado e passou ao aberto em 2022.
Atualmente, Elize vive no interior de São Paulo e trabalha com a produção e venda de roupas para animais de estimação.
A família de Marcos, por meio de seu advogado, sustenta que a nova produção não reproduz de forma fiel os elementos reunidos durante a investigação e o julgamento do caso.
