O Brasil registrou 1.571 vítimas de feminicídio em 2025, número 4% superior ao observado no ano anterior, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23/7). O crescimento ocorre em sentido oposto ao dos homicídios de mulheres em geral, que caíram de 3.728 casos em 2024 para 3.539 neste ano, redução de 5,1%.
De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o feminicídio é caracterizado quando o assassinato ocorre “em razão da condição do sexo feminino, seja em contexto de violência doméstica e familiar, seja por menosprezo ou discriminação à condição de mulher”. A análise foi elaborada pelas pesquisadoras Isabella Matosinhos, da Rede Feminina de Estudos de Violência, Justiça e Prisões (Rede Femjusp) e consultora do FBSP, e Juliana Brandão, coordenadora de Gênero e Raça da entidade.


Pesquisa aponta permanência da violência letal dentro de casa
As especialistas destacam que os dados revelam um cenário de redução das mortes de mulheres ligadas à criminalidade urbana, mas sem reflexo nos casos de violência praticada em ambiente doméstico. “Por outro lado, a violência letal que atinge mulheres dentro de casa, cometida por pessoas que elas conheciam e, na maior parte dos casos, amaram, não tem caído. Ela é a violência que permanece mesmo quando a outra recua”, afirmam.
O levantamento mostra que, para cada feminicídio consumado registrado em 2025, houve três tentativas. Ao todo, 4.189 mulheres sobreviveram a ataques classificados como tentativa de feminicídio, número que representa aumento de 5,9% em relação ao ano anterior.
As pesquisadoras alertam que esses casos demonstram a gravidade da violência de gênero. “O autor não desistiu de matar: ele não conseguiu. As mulheres que hoje figuram nessa estatística podem representar, amanhã, parte das vítimas de feminicídio consumado”, afirmam.
Entre os principais dados apresentados pelo anuário, mulheres negras representam 65,1% das vítimas de feminicídio. A faixa etária entre 25 e 44 anos concentra 56,5% dos casos. A residência da vítima foi o local do crime em 62,5% das ocorrências, enquanto parceiros íntimos foram responsáveis por 60,9% dos assassinatos.
O estudo também relaciona o feminicídio a outros indicadores de violência contra a mulher. Para cada caso consumado, o país registrou, em média, 501,9 ameaças, 182,2 agressões físicas, 84 descumprimentos de medidas protetivas, 78,8 registros de stalking e 38,7 episódios de violência psicológica. O anuário ainda aponta que o Brasil mantém uma taxa de 39,5 estupros por 100 mil habitantes.
