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Golpes por telefone avançam no Brasil e bancos usam IA para tentar impedir fraudes

Itaú desenvolve inteligência artificial com apoio de psicanalistas para identificar gatilhos emocionais usados por criminosos
Golpes por telefone avançam no Brasil e bancos usam IA para tentar impedir fraudes

As fraudes por telefone ganharam espaço entre os golpes aplicados no Brasil. Um levantamento da empresa de segurança cibernética Kaspersky aponta que cerca de 70% dos brasileiros receberam chamadas indesejadas durante um período de seis meses. Dentro desse grupo, aproximadamente 15% das ligações eram tentativas diretas de enganar as vítimas.

A mudança indica uma nova estratégia dos criminosos, que passaram a reduzir o disparo em massa de mensagens de texto para apostar em abordagens por voz. Entre os métodos estão falsas centrais bancárias e ofertas promocionais fraudulentas, usadas para convencer as vítimas a fornecer informações ou realizar operações financeiras.

Criminosos exploram reações emocionais das vítimas

O avanço das fraudes levou instituições financeiras a buscar formas de interromper o golpe antes que o cliente conclua uma transação. Uma das apostas do setor é utilizar inteligência artificial para reconhecer situações em que a pessoa pode estar sendo manipulada durante uma ligação.

No Itaú, modelos de IA estão sendo desenvolvidos com o apoio de uma equipe de psicanalistas. A proposta é identificar os gatilhos emocionais que podem deixar o cliente mais vulnerável à abordagem dos criminosos e criar intervenções capazes de fazê-lo interromper a ação.

Segundo Felipe Tambelini, diretor de prevenção a fraudes do banco, uma das dificuldades está justamente no estado emocional provocado pela abordagem. Em declaração ao jornal Valor Econômico, ele afirmou que a vítima pode entrar em uma espécie de “transe” durante a conversa com o golpista.

Itaú cria alertas para interromper transações suspeitas

A tecnologia também passou a ser utilizada para criar interações que façam o cliente parar e refletir antes de enviar dinheiro. Em vez de apresentar apenas uma opção para confirmar ou cancelar uma operação, o assistente conversacional desenvolvido pelo banco faz perguntas destinadas a estimular uma nova avaliação da situação.

O Itaú implementou ainda quase 40 tipos de alertas personalizados no aplicativo. Eles podem ser acionados quando o sistema identifica que o cliente está em uma ligação telefônica enquanto realiza uma movimentação considerada suspeita.

A instituição também ampliou o chamado Modo Protegido no Superapp. A ferramenta adiciona uma etapa de validação de identidade para proteger saldos e carteiras de investimento quando o aparelho está conectado a uma rede Wi-Fi que não foi cadastrada como segura.

Anatel prepara medidas para autenticar chamadas

Além das iniciativas dos bancos, o combate às ligações fraudulentas também envolve medidas no setor de telecomunicações. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) avança com o programa Origem Verificada, criado para permitir a autenticação das chamadas e facilitar a identificação de sua procedência.

A agência também prepara regras mais rígidas para o cadastramento de linhas móveis, em uma tentativa de dificultar o uso de números utilizados em práticas fraudulentas.

Enquanto as instituições ampliam os investimentos em segurança, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) estima que os bancos brasileiros investirão R$ 50 bilhões em tecnologia neste ano. Segundo a entidade, 10% desse montante serão destinados especificamente à prevenção de fraudes e à segurança cibernética.

alfinetei

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