O homem-bomba que morreu em um atentado na frente do Supremo Tribunal Federal (STF) na última quarta-feira (13/11) recebeu auxílio emergencial durante a pandemia. Entre os anos de 2020 e 2021, ele foi beneficiado com pelo menos 14 parcelas do programa governamental.
A ajuda era destinada a apoiar financeiramente a população durante o auge da crise sanitária causada pela Covid-19. As informações foram dadas pela coluna Igor Gadelha do Metrópoles.




Francisco Wanderley Luiz, de 59 anos, também conhecido como Tiü França, recebeu o benefício de junho de 2020 até outubro de 2021, somando um total de R$ 4.650. O valor foi distribuído em cinco parcelas de R$ 600, duas de R$ 300 e sete de R$ 150, destinadas a cobrir despesas essenciais durante o período de crise sanitária.
Ele se despediu dos vizinhos 1 dia antes do atentado ao STF (Supremo Tribunal Federal). O homem, de 59 anos, alugou uma casa por volta de agosto na QNN 7 da Ceilândia Norte, região administrativa do Distrito Federal.
Descrito por vizinhos ao Poder360 como reservado e aparentemente tranquilo, Francisco começou a frequentar a região nos últimos meses. Lucas França, de 29 anos, mora na QNN 7 da Ceilândia há mais de duas décadas. Trabalha numa bicicletaria 3 casas depois da que o chaveiro teria alugado para planejar os ataques.
Veja os relatos
Ele conta que começou a reparar na presença de Francisco há 2 meses. Disse ter feito reparos algumas vezes na bicicleta do chaveiro, inclusive 1 dia antes dos ataques. Afirmou que o homem sempre pagava com cartão e trocava poucas palavras.
A poucos metros dali, na esquina da rua onde Francisco alugou a casa, fica uma distribuidora de bebidas. Foi onde o chaveiro começou a demonstrar sinais sobre as suas intenções. Sabrina Raposo, de 23 anos, trabalha como atendente na loja de bebidas. A jovem conta que Francisco passou a frequentar o lugar diariamente há pouco mais de 1 mês. Afirma que o chaveiro sempre fazia o mesmo pedido: uma lata de cerveja Spaten e um maço de cigarro Winston Azul. Segundo a jovem, o cliente não tinha geladeira em casa. Por isso, sempre pegava só uma unidade da bebida. Sabrina relata ter estranhado algumas vezes o comportamento de Francisco. Mas que a impressão geral era de que o homem era “uma boa pessoa”.
Ela afirma que, na semana retrasada, o chaveiro disse ao seu irmão –por quem desenvolveu grande afeição– que iria “viajar” e “não voltaria mais”. “Na semana retrasada, ele falou com meu irmão que ia viajar e que, para meu irmão lembrar dele, era só ele olhar para as estrelinhas. Nisso, eu fiquei pensativa, e achei que ele ia fazer alguma coisa contra a vida dele. Ele vinha aqui e ficava praticamente distribuindo dinheiro. [Como] se estivesse se despedindo“, disse a jovem.
No dia anterior ao ataque ao STF, Francisco, como de costume, retornou à distribuidora. Pediu o de sempre: uma lata de cerveja e um maço de cigarro. Segundo Sabrina Raposo, o chaveiro avisou novamente que iria viajar e não voltaria mais. Questionado por qual motivo, disse que iria “voltar para sua cidade”. Ele era natural de Rio do Sul, em Santa Catarina. Lá, concorreu a vereador em 2020, mas recebeu só 98 votos e não foi eleito. A jovem conta também que Francisco evitava falar sobre sua família ou temas políticos. Relata ainda que o chaveiro “parecia querer ajudar todo mundo”.
