As contas de MC Ryan SP e Chrys Dias foram removidas do Instagram na quarta-feira (16/04), após as prisões realizadas pela Polícia Federal dentro da Operação Narco Fluxo, que apura um esquema internacional de lavagem de dinheiro. As informações são do O Globo.
Os perfis passaram a exibir mensagens como “esta página não está disponível” e “usuário não encontrado”. A operação também resultou nas prisões de MC Poze do Rodo e Raphael Souza.





Investigação detalha uso de artistas para movimentar valores
Segundo a Polícia Federal, o grupo utilizava empresas do setor de entretenimento para misturar receitas legais com valores oriundos de apostas ilegais e rifas digitais. As investigações indicam movimentação superior a R$ 1,6 bilhão nos últimos dois anos.
De acordo com o delegado responsável, a escolha de influenciadores fazia parte da estratégia do grupo. “Essas pessoas públicas com muitos seguidores conseguem movimentar grandes quantias sem chamar a atenção dos sistemas de compliance das autoridades e dos bancos. Então eles são muito úteis e facilmente recrutáveis por essas organizações, por essa estrutura de lavagem”
O esquema incluía pagamentos apresentados como publicidade para justificar a entrada de recursos ilícitos no sistema financeiro. Os valores eram utilizados na aquisição de bens de alto padrão e exibidos nas redes sociais.
As autoridades também identificaram o uso de contas intermediárias, empresas de fachada e transferências fracionadas, técnica conhecida como “smurfing”, para dificultar o rastreamento.
Parte das movimentações internacionais utilizava a criptomoeda USDT como forma de ocultação de patrimônio.
A investigação aponta ainda ligação com o tráfico internacional de drogas. “Quando a gente fala em dinheiro que vem do tráfico de drogas, a gente fatalmente vai chegar em facções criminosas. […] A investigação demonstra isso, que parte do dinheiro que foi captado e depois despejado nessa estrutura é oriundo do tráfico de drogas”
Segundo a apuração, MC Ryan SP foi identificado como “líder e beneficiário econômico da engrenagem”. Já o dono da página “Choquei” atuaria como operador de mídia, “recebendo altos valores diretamente […] Sua função consiste, em tese, na divulgação de conteúdos favoráveis ao artista e na promoção de plataformas de apostas e rifas, além de potencialmente atuar na mitigação de crises de imagem relacionadas às investigações”.
A operação mobilizou mais de 200 policiais federais e cumpriu dezenas de mandados judiciais em diferentes estados. Foram apreendidos veículos, dinheiro em espécie, documentos e equipamentos eletrônicos. Os investigados podem responder por associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
As defesas afirmam que as transações são legais e que irão se manifestar após acesso ao conteúdo completo das investigações.
