Beatriz da Silva Rosa, mãe de Ryan da Silva Andrade, um menino de apenas 4 anos, relatou a morte de seu filho durante uma operação policial em Santos, no dia 5 de novembro. Segundo Beatriz, os policiais sabiam que a área estava cheia de crianças antes de começarem a atirar.
Ela contou que havia aproximadamente 15 crianças na rua, incluindo Ryan, e que, apesar disso, os policiais dispararam sem cautela. Beatriz afirmou: “Eles viram que tinha um monte de gente, moradores, e mesmo assim chegaram atirando.” Essa versão é contestada pela Polícia Militar, que afirma ter sido atacada primeiro.




A versão dos moradores e testemunhas
Testemunhas no local, incluindo familiares das vítimas, negam a versão de um confronto armado. “Não teve confronto, não teve troca de tiros. Eles chegaram e mataram,” disse Beatriz, explicando a tragédia e lembrando dos últimos momentos do filho, que ainda conseguiu caminhar até a casa de sua prima, mas logo sucumbiu aos ferimentos.
Além de Ryan, outro adolescente de 17 anos, Gregory Vasconcelos, foi morto, e um jovem de 15 anos ficou ferido. A Polícia Militar, em coletiva, afirmou que os policiais estavam patrulhando a região quando foram surpreendidos por tiros de um grupo de aproximadamente 10 indivíduos.
O que a Polícia Militar diz
O coronel Emerson Massera, porta-voz da PM, mencionou que o disparo que atingiu Ryan “provavelmente partiu de uma arma de um policial militar”. Ele também informou que os policiais não estavam utilizando câmeras corporais, o que dificultou a verificação dos acontecimentos.
Massera ainda ressaltou que os policiais são vistos como “vítimas da situação” e que a discussão sobre a maioridade penal precisa ser reavaliada, citando a utilização de adolescentes no crime organizado.
Testemunhos contraditórios
Várias testemunhas, incluindo uma mulher de 24 anos, que também foi atingida por um tiro de raspão, contradizem a versão oficial. Ela relatou: “Eu falei para a polícia: vocês alvejaram uma criança de 4 anos.” Outras pessoas afirmam que os policiais estavam em um carro branco, enquanto a versão da polícia indicava motos.
Moradores do bairro, que estavam em frente às suas casas, também reforçam que os tiros partiram exclusivamente dos policiais. Uma testemunha destacou: “As únicas pessoas que começaram a atirar foram os policiais.”
A posição da Secretaria de Segurança Pública
Em resposta às declarações das testemunhas, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) afirmou que “os agentes envolvidos na ocorrência estão afastados da atividade operacional” e confirmou a versão do porta-voz da PM. No entanto, a narrativa das testemunhas permanece em desacordo com a versão oficial da polícia.
O caso segue sendo investigado, com a comunidade local e a família das vítimas exigindo respostas sobre a verdadeira dinâmica dos eventos.
