A influenciadora Marta Oliveira morreu aos 33 anos, em 17 de agosto, após passar por um conjunto de cirurgias plásticas em Volta Redonda, no Rio de Janeiro. O marido, Marcus Vinicius, com quem mantinha um relacionamento havia 15 anos e teve três filhos, Théo, Ravi e Filippo, afirma que ela era saudável, não apresentava problemas de saúde conhecidos e havia sido aprovada nos exames pré-operatórios. Em entrevista exclusiva à Quem, ele contou que a família agora tenta compreender a sequência de acontecimentos que levou à morte da influenciadora.
Sem respostas definitivas sobre o que provocou o agravamento do quadro, Marcus afirma que pretende entender tecnicamente cada etapa do atendimento recebido pela esposa. “Está tudo muito abstrato, né? Não tenho informação concreta da causa do falecimento dela”, afirma Marcus, explicando que a família busca esclarecimentos junto aos profissionais responsáveis e ao hospital.
Cirurgia, alta e agravamento do quadro
Marta foi submetida aos procedimentos no Hospital Unimed Volta Redonda em 12 de agosto. Segundo Marcus, ela permaneceu internada durante a noite e recebeu alta na manhã seguinte. Em casa, porém, ele percebeu sinais de que a esposa não estava bem. Um dos pontos que chamou sua atenção foi o fato de ela ter recebido alta sem ter urinado. “Ela chegou ao quarto por volta de 19h30. E, quando foi de manhã, no outro dia, por volta das 10 da manhã, ela já estava de alta”, conta.
Após retornar para casa, Marta apresentou vômitos e diarreia e decidiu voltar ao hospital. “Chegando por volta da hora do almoço, ela almoçou e dali já começou a passar mal, vômito mesmo e diarreia”, afirma.
Durante a nova internação, o quadro continuou piorando. Na sexta-feira, 14 de agosto, Marta começou a reclamar de falta de ar. Mesmo debilitada, chegou a gravar um vídeo para os seguidores. Ao rever a gravação, Marcus se emocionou com a lembrança. “Depois, olhando o vídeo, é destruidor, porque ela já estava mal… Ela não conseguia falar”, lembra ele, emocionado.
A influenciadora também estava com drenos, e a família questionou a aparência do líquido que era eliminado pelos tubos. Marcus afirma que as dúvidas eram encaminhadas aos profissionais responsáveis pelo atendimento. Havia ainda um grupo de WhatsApp destinado ao acompanhamento pós-operatório. “Todas as pessoas que estavam cuidando dela estavam no grupo”, explica.
Segundo ele, a família seguia as orientações repassadas pela equipe, inclusive em relação à hidratação. O estado de saúde de Marta, entretanto, levou à realização de uma segunda cirurgia, feita na madrugada de sexta para sábado. Marcus afirma que ainda tenta descobrir o que provocou a necessidade da nova intervenção. “É uma das respostas que a gente quer saber”, afirma.
Ao levar a esposa novamente ao hospital, Marcus percebeu uma movimentação que considerou incomum. Ele relata que poucas horas se passaram entre a chegada à unidade e a comunicação sobre a gravidade do estado de saúde dela. “Eu vi uma movimentação muito estranha”, conta.
Quando conseguiu entrar na UTI, Marcus recebeu a informação de que Marta seria intubada. “Já estava falando: ‘Despede porque vai intubar’. Aí falei: ‘Como assim?’'”, lembra ele.
O marido também afirma que, depois da segunda cirurgia, a médica responsável teria mostrado a ele um vídeo de Marta com o abdômen aberto e dito que não havia ocorrido um problema relacionado à cirurgia plástica.
Os dias seguintes foram marcados pela falta de informações conclusivas, segundo Marcus. Ele conta que a família recebia novas explicações à medida que a situação se agravava. “Cada dia era um problema diferente e falavam que estava muito grave”, relata.
Na segunda-feira, 17 de agosto, Marcus recebeu a informação de que o coração de Marta estaria funcionando com apenas 15% de sua capacidade. Na tentativa de encontrar alternativas, a família procurava profissionais e equipamentos de outros hospitais para obter uma segunda opinião.
Pouco depois, Marcus foi chamado à unidade hospitalar e recebeu a confirmação da morte da esposa. “Quando cheguei lá para receber a notícia, estava a Janaína (prima da Marta) na sala do psicólogo, e a doutora aos prantos. Nisso, eu falei: ‘Aconteceu, né?’. E eu entrei em choque. Aí que veio o doutor do plantão falar: ‘Tentamos de tudo'”, recorda, contando que Marta havia sofrido duas paradas cardíacas diante dele naquele mesmo dia.
“Não estou aqui para acusar ninguém”
Depois da morte de Marta, Marcus decidiu tornar público parte do que a família havia vivido. Segundo ele, a internação era mantida em sigilo até então. A primeira manifestação pública teve como objetivo homenagear a esposa, que era conhecida por produzir conteúdos relacionados à família e ao humor.
“A Marta era muito tímida. Ela não postava nada assim. A gente já passou por muita coisa e nunca postou problema. O nosso nicho era família e humor, trazer alegria. E não postei que a Marta estava em UTI”, explica.
Com a repercussão do caso, Marcus afirma que passou a receber relatos de outras pessoas e começou a levantar novos questionamentos sobre o atendimento prestado à esposa. “Não estou aqui para acusar ninguém, estou contando o que vivi. Eu, como marido, comecei a falar: ‘Poxa, será que é por isso que ela [a médica] fez questão de mostrar um vídeo?’. Aí eu comecei a levantar dúvidas”, afirma.
De acordo com Marcus, a médica responsável entrou em contato no dia do velório e afirmou que permaneceria disponível para a família. “Ela me respondeu à mensagem, falando que estava olhando pela gente. Se eu precisasse de alguma coisa, podia chamar ela. Eu falei: ‘Não tem como pedir nada para ela. Ela não vai trazer a minha esposa de volta’. E aí não nos falamos mais”, conta.
