Um médico servidor concursado em Itaúna do Sul (PR) foi denunciado pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR) por uma série de crimes graves, incluindo ameaça, perseguição, dano emocional, tortura e peculato. O caso, que segue sob sigilo de Justiça, ganhou repercussão após servidores relatarem que o ambiente de trabalho teria se tornado um verdadeiro “filme de terror”. As informações são do g1.
De acordo com as investigações, o profissional teria usado uma sala originalmente destinada a centro cirúrgico — e que estava desativada — para montar um quarto particular dentro do hospital municipal, onde também dormia com a esposa durante plantões. No espaço, foram encontrados cama, televisão, guarda-roupa, roupas pessoais e objetos de uso diário, além de itens como toalha bordada com o nome do médico.



Ambiente de medo e denúncias de ameaças
Segundo depoimentos reunidos pelo MP-PR, a conduta do médico teria ultrapassado questões administrativas e passado a envolver intimidação de servidores. Uma testemunha descreveu a rotina na unidade como “um filme de terror”.
O órgão afirma que há relatos de ameaças contra funcionários e até contra familiares de uma das vítimas, incluindo a suposta menção de violência contra uma criança. Em um dos episódios citados, o médico teria exibido uma arma ao procurar um familiar de uma das pessoas envolvidas na denúncia.
Investigação, prisão e outras acusações
A apuração começou após denúncias de servidores municipais e foi conduzida entre março e maio de 2026. O médico acabou preso preventivamente em 17 de junho e permanece detido. Além dele, a esposa, que atua como enfermeira na unidade, também foi denunciada e responde por crimes como peculato, prevaricação e omissão.
O Ministério Público ainda investiga suspeitas de tortura contra criança e adolescente, além de possíveis irregularidades no uso de estrutura pública para fins pessoais.
A Prefeitura de Itaúna do Sul informou que acompanha o caso e colabora com as autoridades. O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) afirmou que abriu fiscalização e que eventuais infrações éticas serão apuradas em processo próprio.
Defesa contesta acusações
A defesa do médico e da esposa afirmou que recebeu a denúncia com surpresa e sustenta que as acusações são frágeis e baseadas em relatos que serão contestados ao longo do processo. Também foi solicitado à Justiça a revogação da prisão preventiva.
O caso segue em investigação e sem previsão de julgamento.
