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Médico é indiciado após morte de criança picada por escorpião em SP

Investigação aponta que protocolo para acidentes com crianças não foi seguido; defesa afirma que médico é inocente
Médico é indiciado após morte de criança picada por escorpião em SP

A Polícia Civil indiciou por homicídio culposo o médico Augusto Fortunato de Godoi pela morte de Bernardo de Lima Mendes, de 3 anos, que morreu após ser picado por um escorpião em Conchal, no interior de São Paulo. As informações são do g1.

Segundo a investigação, o menino deveria ter sido encaminhado imediatamente para um hospital de referência com soro antiescorpiônico. No entanto, ele permaneceu em observação no Hospital Madre Vannini, em Conchal, antes de ser transferido para Araras.

Médico disse desconhecer protocolo

Em depoimento prestado à polícia no dia 4 de agosto, Augusto afirmou que não conhecia o protocolo específico para acidentes com escorpiões em crianças de até 10 anos. Segundo ele, o procedimento nunca havia sido apresentado nos cinco hospitais onde trabalha.

O médico relatou ainda que considerou o quadro inicialmente sem gravidade, mas mudou de avaliação depois que Bernardo começou a apresentar vômitos. A transferência foi solicitada posteriormente por meio do sistema de regulação.

De acordo com o inquérito, porém, houve demora no encaminhamento. O menino chegou ao hospital às 20h08, enquanto o contato com o sistema de regulação ocorreu somente às 21h59.

Investigação aponta falhas no atendimento

O delegado responsável pelo caso afirmou que as diretrizes do Ministério da Saúde determinam que crianças de até 10 anos picadas por escorpião sejam encaminhadas imediatamente para uma unidade de referência, mesmo quando apresentam sintomas leves.

A investigação também aponta que o primeiro episódio de vômito já indicaria a necessidade urgente do soro antiescorpiônico. Bernardo teria apresentado cerca de dez episódios de vômito em aproximadamente 20 minutos.

O menino acabou transferido para Araras e recebeu o antiveneno mais de quatro horas depois da picada. Segundo a polícia, nesse momento o quadro já era irreversível. Bernardo sofreu uma parada cardiorrespiratória e morreu no dia seguinte.

Defesa nega responsabilidade

Além do indiciamento, a Polícia Civil pediu à Justiça o afastamento cautelar do médico de plantões e atendimentos de urgência e emergência.

A defesa de Augusto afirmou que ele tem “plena certeza de sua inocência” e questionou a conclusão da investigação.

O Hospital e Maternidade Madre Vannini também declarou que o médico acionou o Centro de Informação e Assistência Toxicológica quatro vezes e solicitou a transferência assim que houve agravamento do quadro. A instituição afirmou ainda que uma sindicância interna concluiu que o atendimento e os protocolos adotados foram adequados.

O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público, que deverá analisar os próximos passos do caso.

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