Na última segunda-feira (10), médicos em Pune, na Índia, realizaram uma cirurgia de emergência em uma menina de 10 anos para remover uma bola de cabelo de 280 gramas formada no estômago. O diagnóstico confirmou a síndrome de Rapunzel, condição rara em que a pessoa arranca e ingere os próprios cabelos. As informações são do O Tempo.
O procedimento foi conduzido pelo cirurgião pediátrico e neonatal laparoscópico Kalpesh Patil, que liderou a equipe médica em outubro. “Ela havia experimentado dor abdominal intermitente por quase dez meses, sem alívio com tratamento conservador”, relatou Kalpesh Patil sobre o quadro clínico da paciente.



Bola de cabelo ocupava parte do sistema digestivo
De acordo com a equipe médica, a massa apresentava tamanho semelhante ao de um rolo de papel toalha e se formou pela combinação de fios de cabelo, muco e restos de alimentos. O tricobezoar, nome técnico para esse tipo de acúmulo, se estendia do estômago até o intestino delgado e a vesícula biliar, algo considerado inédito mesmo entre os casos já documentados da síndrome.
Kalpesh Patil explicou que a menina foi internada em 8 de outubro. O exame clínico indicou uma massa dura em todo o abdômen superior. A cirurgia durou duas horas e meia e resultou na retirada completa da bola de cabelo. Após o procedimento, a criança foi levada para a UTI pediátrica.
Recuperação e acompanhamento médico
Depois que foi confirmado que não tinha vazamentos no trato gastrointestinal, a paciente retomou a alimentação oral. Uma semana depois, ela expeliu um pequeno emaranhado de fios nas fezes, possivelmente resíduos do material acumulado. A alta médica foi concedida em 29 de outubro, com boa recuperação e tolerância alimentar.
Estudos apontam que entre 0,5% e 3% das pessoas podem desenvolver tricotilomania em algum momento da vida, e entre 10% e 30% desses casos envolvem tricofagia. “Junto da cirurgia e tratamentos de acompanhamento, recomendamos uma avaliação psiquiátrica para a menina”, afirmou Kalpesh Patil. “Embora a recorrência seja rara, é possível, especialmente se o transtorno psiquiátrico permanecer sem tratamento.”
