A música sertaneja continua sendo o centro da trajetória artística de Paula Fernandes, 41, mas a cantora também mantém uma relação próxima com a televisão. Após aparecer em novelas interpretando a si mesma, ela estreou como atriz na pele da princesa Beatriz, em Deus Salve o Rei, da Globo, em 2018. Anos depois, voltou à dramaturgia em Coração Acelerado, exibida em 2026, no papel de Cecília.
Na produção, Paula viveu a mãe de Agrado, personagem interpretada por Isadora Cruz, durante os primeiros capítulos. A experiência despertou novamente o interesse da artista pela atuação e abriu espaço para que ela pensasse em novos desafios diante das câmeras. “Eu me senti privilegiada ao fazer parte do elenco, justamente porque é uma novela que falou sobre o universo da música sertaneja”, diz.
Paula Fernandes quer interpretar uma vilã
A cantora não descarta novos trabalhos como atriz e já sabe qual tipo de personagem gostaria de experimentar. Depois de interpretar figuras mais próximas do perfil de mocinha, Paula afirma que gostaria de assumir um papel diferente dos anteriores. “Já fiz boazinhas. Quero fazer uma má, uma vilã. Sem ser careta”.
A trama escrita por Isabel de Oliveira e Maria Helena Nascimento acompanha Agrado e Eduarda, personagens de Isadora Cruz e Gabz, respectivamente, e aborda a presença feminina no universo sertanejo. Paula Fernandes se tornou conhecida nacionalmente a partir de 2009 e viveu, desde o começo da carreira, as dificuldades enfrentadas por mulheres em um mercado historicamente dominado por homens.
“O movimento do feminejo é muito forte e me sinto bem por ter encorajado e ajudado a pavimentar o espaço para essas novas garotas do sertanejo. É uma estrada muito difícil de percorrer, com inúmeros desafios. É uma estrada complicada para mulheres por ser um sistema preparado para homens — desde o palco, até a estrutura de camarins”.
“Fui boi de piranha”
Paula faz questão de reconhecer as artistas que abriram caminho antes de sua chegada ao cenário sertanejo. Entre os nomes lembrados por ela estão Irmãs Galvão, Roberta Miranda e Sula Miranda. Ao falar sobre o próprio início profissional, porém, a cantora recorre à expressão “boi de piranha” para definir a posição que ocupou naquele período.
“Quando apareci, eu realmente fui boi de piranha. Outras mulheres no sertanejo já tinham surgido antes de mim, como a Sula Miranda, as Irmãs Galvão… Quando eu surgi para o mercado, tive que enfrentar inúmeras barreiras. As meninas da atual geração estão pavimentando uma nova trilha para a próxima geração que virá”.
Com o encerramento de Coração Acelerado previsto para sexta-feira (14), Paula avalia de forma positiva a participação na novela. Para ela, a personagem Cecília também serviu como uma maneira de revisitar questões relacionadas ao machismo enfrentado por mulheres no sertanejo.
“A novela trouxe esse movimento do feminejo. A Cecília proporcionou momentos bem alegres para a minha vida. Ela é uma mulher forte, determinada e genuinamente artista. Ela enfrentou o machismo em um passado de 25 anos atrás e, de certa forma, esse machismo segue na sociedade”, diz.
A cantora também se emociona ao saber que sua trajetória serviu de referência para a criação de Agrado. Segundo Paula, sua imagem esteve entre as inspirações consideradas pela equipe durante a fase de preparação da personagem.
“Fico feliz por ter sido uma raiz para que a Agrado acontecesse. Quando estavam na etapa inicial de caracterização, foi falado: ‘A gente quer um cabelo meio Paula Fernandes, essa doçura de Paula Fernandes, essa determinação de Paula Fernandes’. Isso foi um presente. Ainda que eu não interprete essa personagem, isso faz com que eu fique explodindo por dentro”.
