A médica da Marinha, Gisele Mendes de Souza e Mello, foi fatalmente atingida por um tiro enquanto participava de um evento no Hospital Marcílio Dias, no Rio de Janeiro, nesta terça-feira (10). A perícia preliminar indicou que o disparo atingiu sua testa e se alojou na nuca.
Embora tenha sido socorrida e levada para cirurgia, Gisele não resistiu aos ferimentos e morreu horas depois. O tiro que matou a médica foi disparado enquanto uma operação da Polícia Militar acontecia nas proximidades do hospital, no Complexo do Lins, para prender criminosos envolvidos em roubos de veículos.
Uma imagem divulgada pelo g1 e pela TV Globo mostra a janela da Escola de Saúde da Marinha, localizada no Hospital Naval Marcílio Dias, em Lins de Vasconcelos, na Zona Norte do Rio, com a marca do disparo que matou a médica Gisele Mendes de Souza e Mello, na terça-feira (10).




Durante a ação, os policiais foram atacados por bandidos na comunidade do Gambá. Ainda não se sabe de onde partiu o disparo, mas a perícia calculou que o tiro tenha vindo de uma posição acima do segundo andar, onde a médica estava acompanhando a cerimônia.
“Foi uma experiência arrepiante”
O impacto da bala causou um grande ferimento na testa de Gisele, e ela não conseguiu sobreviver, apesar dos esforços médicos. A situação causou grande comoção, principalmente pela proximidade da tragédia com o aniversário de 22 anos do filho mais novo da médica, Daniel Mello. Em um post nas redes sociais, ele se despediu da mãe com palavras emocionadas: “De coração partido, mas com fé que Deus sabe de tudo, vai em paz, mãe. Que seus guias estejam contigo!”.
Trajetória profissional de Gisele Mendes
Gisele era superintendente de saúde do Hospital Marcílio Dias, um dos cargos de maior importância no hospital. Ela se formou em medicina pela Universidade Federal do Estado do Rio (Unirio) em 1993, e se especializou em geriatria. Entrou para a Marinha em 1995 e chegou a ser diretora do Hospital Naval de Brasília. Gisele estava prestes a ser promovida a almirante médica e tinha planos de trabalhar em missões humanitárias da ONU.
Luto familiar e despedida
Os familiares de Gisele estão devastados pela perda. Seu irmão, Felipe Lacerda Mendes, lembrou que a médica sempre teve um grande desejo de ajudar os outros, o que a levou a optar pela medicina. “Ela tinha o desejo de atuar em alguma missão humanitária e estava aguardando sua promoção para almirante para poder fazer isso”, contou Felipe. A família também informou que os pais de Gisele, ambos com 85 anos, estão profundamente abalados com a morte da filha.
A tragédia deixou um rastro de tristeza, mas também de reconhecimento pelo trabalho altruísta de Gisele, que foi descrita por amigos e colegas como uma pessoa querida, sem inimigos e sempre disposta a ajudar os outros.
