A Polícia Civil de São Paulo solicitou na terça-feira (17/03), em São Paulo, a prisão do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto no inquérito que apura a morte da policial militar Gisele Alves Santana, encontrada com um tiro na cabeça em fevereiro. O pedido foi encaminhado à Justiça após inclusão de novos laudos periciais no processo. As informações são do g1.
A investigação ganhou novos elementos após exames realizados pela Polícia Técnico-Científica. Os documentos indicam que a vítima apresentava lesões no rosto e no pescoço, além de sinais de que pode ter perdido a consciência antes do disparo.



Novos laudos apontam indícios relevantes no caso
O laudo necroscópico descreve ferimentos classificados como “contundentes” e feitos “por meio de pressão digital e escoriação compatível com estigma ungueal”. Peritos também indicaram ausência de reação da vítima no momento do disparo.
Outros exames descartaram gravidez e consumo de substâncias, mas apontaram presença de sangue em diferentes cômodos do imóvel. A investigação ainda aguarda resultados complementares do Instituto Médico Legal e do Instituto de Criminalística para esclarecer a dinâmica dos fatos.
Circunstâncias levantam dúvidas na apuração
O caso ocorreu em 18 de fevereiro no bairro do Brás, onde a policial vivia com o marido. O registro inicial indicava suicídio, mas familiares contestaram essa hipótese, o que levou à continuidade das apurações.
Relatos de testemunhas apontam que um barulho foi ouvido antes do horário da chamada de emergência feita pelo tenente-coronel. Na ligação, consta a fala: “Minha esposa é policial feminina. Ela se matou com um tiro na cabeça. Manda o resgate e uma viatura aqui agora, por favor”.
Equipes de resgate relataram estranhamento com a posição da arma, descrita como “bem encaixada” na mão da vítima. Também foram mencionadas condições do local que não indicavam tentativa de socorro imediato.
Depoimentos questionam versão apresentada
Socorristas afirmaram que o tenente-coronel não apresentava sinais de banho recente, apesar de declaração de que estava no chuveiro no momento do disparo. Testemunhas também relataram comportamento considerado incomum durante o atendimento, com comunicação tranquila ao telefone e ausência de sinais visíveis de desespero.
Outro ponto analisado envolve ligações realizadas após o fato, incluindo contato com um magistrado que compareceu ao local. A presença no imóvel também passou a ser questionada por representantes da família da vítima.
O caso segue em investigação, com diligências conduzidas pela Polícia Civil e acompanhamento da Corregedoria da Polícia Militar.
