A dois meses da posse do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), agendada para 5 de janeiro de 2027, já é necessário planejar e estar disposto a gastar mais para conseguir hospedagem em Brasília. As reservas para as noites de 4 e 5 de janeiro chegaram a cerca de 77% das propriedades acompanhadas pela Associação Brasileira de Locação por Temporada (ABLT). No mesmo período do ano passado, a taxa oscilava entre 6% e 7%. A demanda também atingiu os hotéis, cujas diárias anunciadas excedem R$ 8 mil.
O levantamento, realizado pela plataforma de inteligência de mercado Beyond e divulgado nesta terça-feira (3), mostra que a ocupação antecipada já é o dobro da registrada ao final das mesmas datas em janeiro de 2026, quando ficou próxima de 38%. Na posse de 2023, a noite da cerimônia chegou a quase 90% de ocupação. Desta vez, a expectativa do setor é de que a demanda continue crescendo até janeiro.




A movimentação já é percebida na rede hoteleira. No ibis Styles Brasília Aeroporto, cerca de 70% dos apartamentos estão reservados para o período. Segundo o diretor-geral do empreendimento e presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Distrito Federal (ABIH-DF), Henrique Severien, a expectativa é alcançar 90% de ocupação. Em hotéis de luxo, especialmente aqueles que receberem delegações internacionais, o índice poderá chegar a 100%.
O aumento da procura contrasta com o comportamento habitual da hotelaria brasiliense. Janeiro costuma ser um dos meses de menor movimento, devido às férias escolares e ao recesso parlamentar, que reduzem as viagens de negócios e compromissos institucionais. Severien ressalta, porém, que a posse representa um crescimento concentrado em poucos dias, sem necessariamente alterar o desempenho do mês inteiro.
Diárias sobem e oferta diminui
Quem pretende acompanhar a cerimônia também encontra preços mais elevados. Na locação por temporada, a diária média anunciada para 4 e 5 de janeiro está em aproximadamente R$ 340, contra R$ 240 no mesmo período do ano passado, aumento de 42%. Já entre as reservas efetivamente fechadas, o valor médio é de R$ 315, alta de 31%.
Na hotelaria, os preços variam conforme a categoria do estabelecimento e a disponibilidade de quartos. Severien explica que parte dos apartamentos está temporariamente bloqueada para grupos e intermediários que ainda não confirmaram as reservas. Com menos unidades disponíveis nas plataformas, as tarifas anunciadas tendem a subir.
