Um estudo divulgado por uma organização de servidores públicos indicou que o Departamento de Eficiência Governamental, conhecido como DOGE e comandado por Elon Musk no início da segunda gestão de Donald Trump, provocou perdas aos cofres públicos ao afastar milhares de funcionários federais em regime de licença remunerada (2025), nos Estados Unidos. A análise aponta que a iniciativa seguiu caminho oposto ao objetivo de reduzir despesas e aumentar a eficiência administrativa. As informações são do g1.
O levantamento foi elaborado pela entidade Public Employees for Environmental Responsibility, que destacou uma contradição entre a proposta original do departamento e os efeitos práticos da política adotada. Criado com a missão de racionalizar gastos, o órgão acabou mantendo pagamentos a servidores que permaneceram fora de atividade ao longo do ano.



Licenças remuneradas e questionamentos legais
De acordo com a organização, mais de 154 mil servidores civis federais foram colocados em licença remunerada ao longo de 2025, o equivalente a quase 7% do funcionalismo civil do país. Na prática, salários continuaram sendo pagos mesmo sem a prestação de serviços, inclusive em áreas consideradas sensíveis, como o Serviço Nacional de Parques.
Entre os afastados estão funcionários da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos que atuavam em justiça ambiental. Segundo a entidade, esse grupo enfrenta um impasse jurídico relacionado à forma como as licenças foram concedidas e prorrogadas.
A organização sustenta que a prática fere a Lei de Licença Administrativa, que limita o afastamento remunerado a até dez dias úteis por ano, salvo exceções específicas. O estudo aponta que a administração criou novas classificações de licença para contornar esse limite legal.
Para especialistas, a responsabilização se tornou complexa devido a normas confusas, lacunas regulatórias e mudanças administrativas, cenário descrito como um “buraco negro de prestação de contas”. A entidade apresentou denúncia ao órgão responsável pela fiscalização dos gastos federais, mas eventuais punições dependeriam de decisões de autoridades ligadas ao próprio governo.
Pesquisadores afirmam que manobras administrativas e brechas legais explicam a continuidade do programa. “Há estratégias que tornam extremamente difícil levar o caso aos tribunais ou a órgãos de controle, e isso explica por que a política avançou”, afirmou Madeline Materna, da Universidade Stanford.
Ao final, o estudo conclui que o custo total dessas licenças remuneradas alcançou US$ 10 bilhões, valor que contrasta com a promessa inicial de economia trilionária anunciada por Elon Musk ao assumir o comando do departamento.
