O Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) voltou ao centro das discussões no Brasil, após os recentes embates entre o governo federal e o Congresso sobre as alíquotas aplicadas em diversas operações. O IOF é um tributo federal que incide sobre transações financeiras, como empréstimos, compras internacionais e negociações de câmbio, e pode atingir tanto pessoas físicas quanto empresas no país. As informações são do O Globo.
Criado em 1966, o IOF não serve apenas para arrecadar recursos para a União, mas também funciona como ferramenta de controle econômico, já que suas alíquotas podem ser ajustadas rapidamente pelo governo para influenciar o consumo, o crédito e o fluxo de moeda estrangeira.




O que é o IOF e quem paga esse imposto
O IOF é aplicado em diferentes situações financeiras. Pessoas físicas e jurídicas que realizam operações como empréstimos, compra de moeda estrangeira, contratação de seguros e investimentos de curto prazo estão entre os contribuintes do imposto. Veja os exemplos mais comuns de cobrança do IOF:
- Empréstimos e financiamentos: o IOF é cobrado do tomador no momento em que o crédito é liberado;
- Compra de moeda estrangeira: quem adquire moeda internacional ou faz remessas ao exterior paga o IOF na hora da operação;
- Seguros: o valor do IOF está incluído no prêmio do seguro e é responsabilidade do segurado;
- Investimentos de curto prazo: se o resgate ocorrer em menos de 30 dias, o imposto incide sobre os rendimentos;
- Compras internacionais com cartão: o IOF é cobrado diretamente do titular do cartão.
A cobrança do IOF acontece automaticamente pelas instituições financeiras, como bancos e corretoras, e pode ser conferida nos comprovantes das transações.
Veja situações em que o IOF não é cobrado
Existem operações específicas que não sofrem a incidência do IOF. Entre elas estão:
- Financiamento estudantil pelo FIES
- Crédito habitacional para compra de imóveis residenciais
- Remessa de dividendos para investidores estrangeiros
- Adiantamento de salário
Essas isenções foram criadas para incentivar setores estratégicos da economia e proteger investimentos externos.
Como é calculado o IOF
O valor do IOF varia conforme o tipo de operação. Por exemplo, empréstimos para pessoas físicas têm uma alíquota diária de 0,0082%, limitada a 3% ao ano, além de uma taxa fixa de 0,38%. Já nas compras internacionais com cartão de crédito, a alíquota pode alcançar 3,38%. Em investimentos de curtíssimo prazo, o imposto é regressivo e pode consumir até 96% dos rendimentos se o resgate for realizado no primeiro dia da aplicação.
O IOF também é usado como estratégia econômica. Ao aumentar ou reduzir as alíquotas, o governo consegue estimular ou conter o consumo, regular a entrada de dólares no país e impactar a concessão de crédito.
IOF voltou a ser tema de disputa em maio deste ano
Em maio, o governo Lula decidiu aumentar as alíquotas do IOF em diversas operações financeiras, com o objetivo de reforçar a arrecadação. Entre os setores atingidos estavam compras internacionais com cartão, aquisição de moeda estrangeira, empréstimos empresariais e previdência privada do tipo VGBL. A previsão do governo era obter R$ 20 bilhões em 2025 e R$ 41 bilhões em 2026 com as mudanças.
O Congresso reagiu e derrubou os decretos presidenciais, revertendo o aumento das alíquotas e impondo uma derrota significativa ao Executivo. A decisão do Legislativo reduziu a arrecadação esperada em até R$ 15 bilhões e gerou tensão entre os poderes.
O governo alegou que a definição das alíquotas do IOF é uma atribuição exclusiva do Executivo e decidiu recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar restabelecer os aumentos. O processo ainda está em andamento e o desfecho pode alterar o cenário fiscal e político do país nos próximos meses.
