Uma mulher de 37 anos foi presa na terça-feira (03/06), em Joinville, Santa Catarina, após fingir ser uma adolescente de 12 anos acolhida por uma família da cidade. A Polícia Civil apura crimes de estelionato e falsa identidade contra a suspeita, conhecida na região como “Gabriele”. As informações são do O Globo.
Segundo investigadores, a mulher se aproximou inicialmente de uma igreja local ao afirmar que sofria abusos e maus-tratos do pai biológico. A suspeita também dizia possuir Transtorno do Espectro Autista. Com o apoio de integrantes da congregação, uma família passou a oferecer ajuda até permitir que a suposta adolescente morasse na residência.


Polícia identificou casos semelhantes em outros estados
Durante o período em que permaneceu com a família, a mulher utilizava chupeta, mamadeira e mantinha comportamentos infantis para sustentar a identidade falsa. Relatos apontam ainda que a suspeita simulava crises noturnas para pedir cuidados da mãe acolhedora.
Parentes tentaram iniciar procedimentos de adoção e matrícula escolar. Conforme a investigação, a mulher recorria a argumentos emocionais para impedir a formalização. A suspeita alegava medo de ser localizada pelo suposto pai biológico.
Ao comentar o caso, o delegado Rodrigo Bueno Gusso afirmou que a mulher apresentava explicações para justificar a aparência física incompatível com a idade informada. “Ela veio com uma história triste, disse que ela foi obrigada na infância a viver em uma casa de prostituição e que nesse local era obrigada a tomar hormônios para desenvolver um porte físico maior e, em razão desses supostos hormônios, ela aparentava ter uma fisionomia mais velha”, declarou.
A investigação teve início após uma tia da família procurar a polícia. Pesquisas feitas por familiares encontraram relatos semelhantes envolvendo a mesma mulher em diferentes estados brasileiros. Segundo a Polícia Civil, foram identificadas referências em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Goiás e Ceará.
De acordo com o delegado, a repetição da estratégia chamou atenção dos investigadores. “o mesmo modus operandi, a única coisa que mudava era o primeiro nome”, afirmou.
Após a confirmação da verdadeira identidade, policiais seguiram até a casa da família acolhedora e efetuaram a prisão da suspeita. Segundo Gusso, os moradores apresentaram dificuldade inicial para acreditar na fraude. “A família teria sido sequestrada emocionalmente. Agiram de boa-fé, no sentido da solidariedade e acabaram ‘adotando’ essa ‘adolescente’. Em um primeiro momento [após a denúncia], eles não acreditaram muito na história de que se tratava de um golpe”, disse. Depois, acrescentou: “Mas aí a gente conseguiu mostrar as provas irredutíveis ali de que realmente era uma farsante.”
A Polícia Civil continua investigando possíveis vantagens financeiras obtidas pela mulher durante o período em que viveu com a identidade falsa.
