A guerra entre Israel e Irã, com a entrada dos Estados Unidos no conflito, tem provocado preocupações no Brasil, especialmente por causa do risco de alta nos preços do petróleo, impacto em exportações de alimentos e possíveis efeitos inflacionários em cadeia. As informações são da Istoé.
Mesmo com produção nacional, o Brasil ainda importa petróleo. Em 2023, 22% das compras vieram da Arábia Saudita. Com o barril do Brent chegando a US$ 77,1, reflexo da crise no Oriente Médio e da ameaça de fechamento do Estreito de Ormuz, os preços de combustíveis e derivados no Brasil podem subir.




Esse estreito, por onde passa 20% do petróleo mundial e boa parte do gás natural liquefeito, está sob ameaça de bloqueio por parte do Irã, o que causaria um colapso logístico com impactos no frete, seguros e custos globais.
Alta no petróleo pode elevar preços no Brasil
O Brasil tem fortes laços comerciais com países do Golfo Pérsico, como Irã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, para quem vendeu US$ 10,6 bilhões em produtos em 2024, incluindo soja, milho, carnes e açúcar. Uma interrupção na navegação em Ormuz pode atrapalhar o escoamento dessas mercadorias.
Além disso, o Irã é um dos principais fornecedores de ureia para o Brasil, fertilizante essencial na agricultura. Em 2025, o país já importou US$ 20 milhões do produto. A escassez pode afetar diretamente o agronegócio brasileiro.
Com os preços do petróleo em alta, o custo da produção em diversos setores tende a subir, gerando inflação em cadeia. A especulação nos mercados também afeta a confiança de investidores, o que tem provocado queda na Ibovespa e pode levar à desvalorização do real, com corrida para ativos considerados mais seguros, como o dólar e o ouro.
O assessor internacional da Presidência, Celso Amorim, alertou sobre a gravidade do cenário. “Se somar ao cenário a guerra tarifária, acho que o mundo está correndo o risco de afundar como eu nunca vi“, disse.
Brasil pode se beneficiar no médio prazo
Apesar do cenário tenso, há possibilidades para o Brasil. Com a possível queda da produção iraniana, o país poderia se tornar um fornecedor alternativo de petróleo, especialmente para o mercado asiático. A análise é do especialista Bruno Cordeiro, da StoneX, que vê espaço para o Brasil ampliar sua presença no mercado internacional, embora não imediatamente.
Apesar disso, segundo Karine Fragoso, da Firjan, o Brasil ainda tem menos de 13 anos de reservas de petróleo, o que mostra um provavel desafio no futuro.
