O Camboja, nação onde a arquiteta brasileira Daniela Marys Oliveira foi sentenciada a dois anos e meio de prisão por posse de drogas, tornou-se um dos principais destinos para vítimas brasileiras de tráfico humano. A família afirma que ela foi vítima de uma falsa proposta de emprego e acabou sendo explorada.
De acordo com o Ministério da Justiça, o país figura entre os três principais destinos de vítimas brasileiras. De acordo com o Relatório Nacional sobre Tráfico de Pessoas 2024, produzido pelo governo federal em parceria com o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, 11% das vítimas brasileiras de tráfico internacional identificadas no ano passado foram enviadas ao Camboja.




As Filipinas (32%) e Laos (17%) ocupam as primeiras posições no ranking. O relatório indica que 35 brasileiros foram vítimas de tráfico em 2024 para nações asiáticas, como Filipinas, Camboja e Mianmar. A maior parte foi submetida a condições semelhantes à escravidão em plataformas de apostas online e call centers.
O trabalho forçado em plataformas digitais é a forma mais frequente de exploração. O Protocolo Operativo Padrão foi implementado pelo Ministério da Justiça, estabelecendo diretrizes para o atendimento a brasileiros vítimas de tráfico internacional. De acordo com o relatório, as comunicações do Itamaraty à Secretaria Nacional de Justiça aumentaram 2.350% em 2024, representando o maior crescimento já documentado.
Vítimas no Brasil
Outros países concentram vítimas estrangeiras no Brasil. O relatório do Ministério da Justiça também aponta que migrantes paraguaios (68%) e bolivianos (23%) são as principais vítimas de tráfico humano dentro do território brasileiro. Em 2024, 163 trabalhadores chineses foram resgatados de trabalho escravo em uma fábrica de automóveis na Bahia.
A ONU alerta para aumento global de vítimas de tráfico humano. O Relatório Global sobre Tráfico de Pessoas 2024 mostra que a África Subsaariana teve o maior crescimento na detecção de vítimas desde 2019, seguida pela América do Norte e pela Europa Ocidental. O trabalho forçado já supera a exploração sexual como a forma mais comum de tráfico.
