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Tatuagens protegem contra o câncer de pele? Descubra o que diz a ciência

Pesquisa de cientistas de Utah apontou taxas menores de câncer de pele em pessoas com desenhos corporais, mas a ciência alerta para falhas metodológicas.
Tatuagens protegem contra o câncer de pele? Descubra o que diz a ciência

Nesta terça-feira (29), uma nova pesquisa científica levantou a possibilidade de que as tatuagens possam oferecer alguma forma de proteção contra o melanoma, o tipo mais grave de câncer de pele. O estudo, conduzido por pesquisadores em Utah, estado americano que registra as maiores taxas de melanoma, comparou mais de mil pessoas com a doença com indivíduos saudáveis para avaliar a influência das tatuagens no risco de câncer. As informações são do The Conversation.

O resultado da pesquisa sugeriu que pessoas com múltiplas tatuagens grandes ou que passaram por diversas sessões de tatuagem apresentaram um risco de melanoma reduzido em mais da metade. A descoberta surpreendeu a comunidade científica, que, por anos, demonstrou preocupação com as tintas de tatuagem. A preocupação vinha do fato de que as tintas contêm substâncias que, em outros contextos, podem ser prejudiciais ou cancerígenas, levantando a hipótese de que a introdução desses elementos na pele poderia promover o desenvolvimento de câncer. Embora estudos anteriores mais abrangentes tenham relacionado tatuagens a um tipo de câncer chamado linfoma, esta pesquisa populacional não confirmou tais temores em relação ao melanoma.

Saiba a importância da cautela com os resultados

Apesar dos resultados surpreendentes, os pesquisadores pediram cautela com as conclusões, citando uma série de falhas metodológicas no estudo. O problema mais significativo foi a ausência de dados sobre fatores de risco primários para melanoma em ambos os grupos. Fatores essenciais como histórico de exposição solar, tipo de pele, uso de câmaras de bronzeamento artificial, facilidade de queimaduras solares e histórico familiar de melanoma foram registrados apenas para as pessoas com câncer. Sem essas informações no grupo saudável, a ciência não consegue determinar se o menor risco observado em pessoas tatuadas é um resultado direto das tatuagens ou de outras diferenças no estilo de vida.

Os dados levantam também a questão de um viés comportamental. O estudo mostrou que os participantes tatuados relataram ter hábitos de exposição solar mais arriscados, como bronzeamento artificial e queimaduras solares. No entanto, o suposto efeito protetor permaneceu mesmo após o ajuste para variáveis como atividade física e tabagismo. A falta de informações sobre o uso de protetor solar e hábitos de proteção solar nos dois grupos sugere que a aparente proteção pode ser resultado de diferenças não mensuradas. A possibilidade é que as pessoas com muitas tatuagens tendam a usar mais protetor solar ou evitar a exposição ao sol para preservar a qualidade de seus desenhos.

Outro ponto que aumenta a complexidade é a baixa taxa de resposta da pesquisa, de apenas 41% entre os casos de melanoma. A taxa de resposta é considerada baixa para estudos do tipo e pode criar um viés de seleção, o que significa que os resultados podem não se aplicar a toda a população.

Os pesquisadores também não coletaram informações sobre a localização das tatuagens, o que impede saber se elas estavam em áreas do corpo cobertas ou expostas ao sol, o principal fator de risco para o câncer de pele. O fato é que o estudo não indicou que os melanomas ocorriam com maior frequência em pele tatuada do que em áreas não tatuadas, o que sugere que a tinta de tatuagem dificilmente é cancerígena de forma direta.

A ciência reforça que o estudo é um dos primeiros grandes trabalhos sobre tatuagens e melanoma, e seus resultados devem ser vistos como novas ideias para investigações futuras e não como prova de proteção. As descobertas atuais não são um sinal para buscar tatuagens como uma forma de prevenção. Por enquanto, os conselhos fundamentais para a prevenção do melanoma permanecem os mesmos: é preciso limitar a exposição solar, usar protetor solar e verificar a pele regularmente, independentemente de ter tatuagens. Para quem já tem múltiplas tatuagens, o estudo oferece a notícia tranquilizadora de que não há evidências atuais de que o ato de se tatuar aumente o risco de melanoma.

alfinetei

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