Na terça-feira, 26 de agosto, o tribunal do condado de Green Lake, em Wisconsin (EUA), condenou Ryan Borgwardt, de 45 anos, a 89 dias de prisão após ele ter encenado a própria morte durante um passeio de caiaque. A pena corresponde ao mesmo período em que a farsa permaneceu em andamento, entre seu desaparecimento e a descoberta da verdade.
O julgamento foi conduzido pelo juiz Mark Slaet, que considerou a confissão de Ryan pelo crime de obstrução policial. Além da pena de prisão, ele terá de pagar cerca de 30 mil dólares, o equivalente a 163 mil reais, ao Gabinete do Xerife do Condado de Green Lake e ao Departamento de Recursos Naturais de Wisconsin, que mobilizaram equipes e recursos nas buscas.

Ryan foi dado como desaparecido em 12 de agosto, após sair de caiaque no lago Green Lake, localizado a 160 quilômetros de Milwaukee. Pouco depois, um caiaque virado e um colete salva-vidas foram encontrados, levantando a suspeita de que ele teria se afogado. Durante 54 dias, equipes de resgate realizaram buscas intensas até que surgiram indícios de que ele ainda estava vivo.
As investigações revelaram que Ryan mantinha contato frequente com uma mulher do Uzbequistão, com quem pretendia recomeçar a vida. “Ele se comunicava regularmente com a mulher, declarando o seu amor e desejo de começar uma nova vida com ela”, disse a promotora Gerise LaSpisa. Segundo ela, o homem chegou a reverter uma vasectomia e pediu a emissão de um passaporte substituto, alegando que o original havia sido perdido ou roubado, embora sua esposa o tivesse encontrado guardado no cofre da família. “Todo o seu plano de fingir sua morte para devastar sua família a fim de servir aos seus próprios desejos egoístas dependia de ele morrer no lago e vender sua morte para o mundo”, acrescentou LaSpisa.
No tribunal, Ryan afirmou estar arrependido. “Lamento profundamente minhas ações e a dor que causei à minha família e amigos”, declarou o réu durante a audiência.
Desfecho familiar
A farsa teve impacto devastador em sua vida pessoal. Quatro meses após o seu retorno, sua esposa Emily, com quem era casado há 22 anos, entrou com pedido de divórcio, alegando que a relação estava “irremediavelmente destruída”. O casal tem três filhos.
