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VEJA VÍDEO: Tubarões raros entram em fila para se alimentar de uma carcaça

Grupo de oito indivíduos foi flagrado em local inesperado durante experimento
VEJA VÍDEO: Tubarões raros entram em fila para se alimentar de uma carcaça

No dia 10 de julho, um grupo de pesquisadores se deparou com uma descoberta inesperada durante um experimento em águas profundas: oito tubarões-dorminhocos-do-pacífico (Somniosus pacificus) apareceram no mar da China Meridional, a milhares de quilômetros de seu habitat conhecido. A cena foi registrada acidentalmente por câmeras que acompanhavam um estudo sobre decomposição de grandes animais no fundo do oceano.

A equipe científica realizava uma simulação de queda de baleia, jogando a carcaça de uma vaca a 1.629 metros de profundidade, nas proximidades da ilha de Hainan, no sul da China. A ideia era observar como o ecossistema responde a uma grande fonte de alimento no fundo do mar. O que não se esperava era que os protagonistas da filmagem seriam predadores que, até então, só haviam sido documentados no Pacífico Norte, entre o Japão, o mar de Bering, o Alasca e a Baixa Califórnia.

Aparição surpreendente e novos comportamentos

Esses tubarões, que são difíceis de localizar devido à sua capacidade de nadar em profundidades superiores a mil metros, foram filmados enquanto se alimentavam da carcaça deixada pelos pesquisadores. A gravação se transformou rapidamente em um material valioso, não apenas pela descoberta da presença da espécie em uma nova região, mas também pelas informações comportamentais que ela revelou.

Diferente do comportamento caótico que costuma ser associado a predadores durante a alimentação, os tubarões-dorminhocos se organizavam em uma espécie de fila para acessar a carcaça. A filmagem revelou uma hierarquia clara baseada no tamanho dos animais: os maiores, com mais de 2,7 metros, lideravam a ação e tinham acesso direto ao alimento, enquanto os menores aguardavam pacientemente à margem.

Durante o banquete submarino, os cientistas também observaram um movimento de retração ocular feito pelos tubarões, possivelmente uma adaptação evolutiva para proteger os olhos, já que essa espécie não possui a membrana nictitante, estrutura que normalmente ajuda outros tubarões a evitar lesões durante a caça.

Outro comportamento curioso foi o que os pesquisadores interpretaram como “cortesia alimentar”. Segundo o autor principal do estudo, Han Tian, da Universidade Sun Yat-sen, “uma estratégia de sobrevivência adequada para forrageamento não solitário”, disse ele, referindo-se ao modo como os tubarões pareciam ceder espaço aos que chegavam depois.

O estudo foi publicado na revista científica Ocean-Land-Atmosphere Research e abre uma nova linha de investigação sobre a distribuição geográfica dos tubarões-dorminhocos-do-pacífico, além de lançar luz sobre aspectos ainda pouco compreendidos do comportamento social desses predadores abissais.

alfinetei

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