O último encontro que quase terminou em feminicídio. O que era para ser apenas mais uma conversa sobre o fim de um relacionamento se transformou em violência e deixou marcas físicas e emocionais na esteticista Glenielle Lourenço Ribeiro, de 31 anos. A mulher afirma ter sido espancada pelo ex-companheiro na manhã de 14 de junho, em Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH). A vítima conta que levou socos na cabeça e no rosto, teve os dois olhos pressionados pelos dedos do agressor (como mostra a foto), foi ameaçada de morte e, por fim, afirma que o homem ameaçou se matar. Glenielle conseguiu escapar ao convencer o ex a levá-la até uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), onde acionou a Polícia Militar. As informações são do Tempo.
De acordo com a esteticista, o relacionamento havia terminado cerca de três meses antes por causa do comportamento ciumento e controlador do ex-companheiro. Mesmo separados, ele continuava a persegui-la. Na manhã de 14 de junho, ele apareceu no condomínio onde ela mora afirmando que havia se envolvido em uma briga e cortado a mão. Sensibilizada, Glenielle aceitou levá-lo até uma UPA.
“No domingo de manhã ele invadiu o condomínio e pediu para conversar comigo. Quando eu entrei no carro, ele pegou o meu celular e perguntou: ‘Você vai roncar para mim?’. Na mesma hora ele me deu um soco no olho. Eu coloquei a mão no rosto para tentar me proteger e comecei a gritar pedindo socorro. Foi quando ele segurou a minha cabeça, tentou me sufocar, apertava o meu olho e continuava dando vários socos na minha cabeça. Eu só pedia para ele parar de me bater”, relatou.
O registro policial aponta que a esteticista relatou ter sido atingida com socos na boca, no olho e na cabeça, além de informar que o agressor teria introduzido o dedo em seu olho esquerdo. Ela foi levada para atendimento médico na UPA São Benedito.
“Ele disse que iria me matar”
Após as agressões, Glenielle afirma que o ex-companheiro passou a ameaçá-la de morte enquanto a mantinha sob seu controle dentro do carro. Segundo ela, o homem dizia estar armado e afirmava que ninguém conseguiria ajudá-la.
“Quando a gente chegou perto do portão do condomínio ele falou que estava armado e que, se eu tentasse fazer qualquer coisa, ele iria me matar e depois se matar. Ainda disse que tinha dois amigos do lado de fora e que, se eu tentasse fugir ou chamar a polícia, eles iriam matar nós dois. Eu fiquei completamente sem reação. Naquele momento eu só queria sair viva dali”, declara.
Mesmo machucada, ela afirma que tentou manter a calma e convencer o agressor de que não faria nenhuma denúncia. “Eu falava o tempo inteiro que não iria denunciar, só dizia que precisava de atendimento médico. Era a única maneira de fazer ele acreditar em mim e me levar para algum lugar onde eu pudesse pedir ajuda”, conta.
Fuga na UPA
A vítima contou que fingiu estar passando mal para conseguir ser levada até uma unidade de saúde. Segundo ela, o plano deu certo e foi a única oportunidade que encontrou para escapar do agressor.
“Quando a gente chegou perto da UPA eu fingi que estava com muita falta de ar. Ele acabou parando e entrou comigo na unidade. Ele ficou ao meu lado até a triagem. Assim que eu consegui entrar para o atendimento, ele fugiu. Foi lá dentro que consegui pedir o telefone e ligar para a Polícia Militar”, afirma Glenielle.
O boletim de ocorrência indica que o suspeito acompanhou a vítima até a unidade de saúde antes de deixar o local. Conforme o registro, Glenielle foi orientada a procurar a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) para solicitar medidas de proteção.
Medo continua após a agressão
Mesmo depois de conseguir escapar, Glenielle afirma que as ameaças continuaram. Segundo ela, o ex-companheiro telefonou para sua irmã dizendo que a mataria caso registrasse ocorrência. Ainda de acordo com a vítima, ele afirmou integrar uma facção criminosa e ameaçou enviar comparsas para persegui-la. Na noite seguinte, ela diz que o homem ligou para seu filho, de 14 anos, mas permaneceu em silêncio durante a ligação.
