O Brasil saiu oficialmente do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), conforme anunciado nesta segunda-feira, 28 de julho. A decisão tem como base os dados médios do triênio 2022, 2023 e 2024, que indicam que o país passou a ter menos de 2,5% da população em situação de subnutrição ou com acesso insuficiente à alimentação.
O país havia retornado ao Mapa da Fome no período entre 2019 e 2021, após ter conseguido sair dessa estatística em 2014. A nova classificação representa um avanço importante e foi comemorada pelo governo federal, já que retirar o Brasil dessa condição era uma das principais promessas de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.




Como o Brasil conseguiu sair da lista
Em nota, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome destacou que a mudança é fruto de uma série de políticas públicas voltadas à proteção social. “A saída do Brasil do Mapa da Fome é resultado de decisões políticas do governo brasileiro que priorizaram a redução da pobreza, o estímulo à geração de emprego e renda, o apoio à agricultura familiar, o fortalecimento da alimentação escolar e o acesso à alimentação saudável”, afirmou o ministério.
O Mapa da Fome é um indicador internacional da FAO que identifica os países onde mais de 2,5% da população convive com subalimentação grave, ou seja, uma forma crônica de insegurança alimentar. Estar nessa lista significa que uma parcela relevante da população não tem acesso regular a alimentos em quantidade suficiente para uma vida ativa e saudável.
A FAO utiliza o indicador chamado Prevalência de Subnutrição (PoU) para avaliar essa realidade. O cálculo envolve três variáveis principais: a oferta de alimentos disponível no país (considerando produção, importação e exportação), o padrão de consumo alimentar da população (considerando desigualdades de renda) e a necessidade calórica mínima para um indivíduo médio.
Com base nesses dados, estima-se a proporção de pessoas que, mesmo diante da oferta total de alimentos, não conseguem alcançar o mínimo necessário em calorias por dia. Se essa porcentagem ultrapassar 2,5% da população, o país integra o Mapa da Fome. No caso brasileiro, a média do período mais recente ficou abaixo desse limite.
Os números por trás da melhora
Segundo o relatório, o Brasil registrou atualmente uma Prevalência de Subnutrição inferior a 2,5%, bem diferente dos 5,7% observados há 20 anos. Na comparação regional, a taxa da América Latina é de 5,1%, enquanto a média global está em 8,2%.
Ainda assim, outros indicadores relacionados à insegurança alimentar permanecem em níveis preocupantes. A insegurança alimentar grave atinge 3,4% da população, o que representa famílias que não sabem se conseguirão garantir três refeições diárias. Já a insegurança alimentar moderada, que envolve incerteza frequente sobre o acesso à alimentação adequada, alcança 13,5% dos brasileiros.
O relatório também mostra que a situação chegou a piorar antes de melhorar. No triênio encerrado em 2021, 3,4% da população vivia com fome. Em 2022, esse número subiu para 4,2%. Apenas em 2023 houve uma leve melhora, com queda para 3,9%. Isso ainda representava 8,4 milhões de pessoas afetadas. Agora, em 2025, a estimativa mais recente mostra o percentual abaixo de 2,5%, o que garantiu a saída do país do Mapa da Fome.
A FAO publica esses dados com base em médias trienais para reduzir o impacto de eventos isolados, como crises econômicas, políticas ou climáticas. A nova posição do Brasil reflete não apenas uma melhora estatística, mas também os efeitos diretos de políticas públicas voltadas à segurança alimentar e combate à pobreza.
