O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) confessou não possuir evidências de fraude nas eleições presidenciais, porém reiterou suas dúvidas sobre o resultado que elegeu Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em entrevista concedida à Folha de S.Paulo, veiculada na sexta-feira (6/11), o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro declarou que não há justificativa para o aumento da votação de Lula no segundo turno e afirmou que o tema é proibido de ser investigado no país.
“Não tenho provas e nem terei, porque é proibido investigar esse assunto”, afirmou. Apesar da falta de evidências, Flávio sustentou que houve manipulação do resultado e disse que nem ele nem Lula podem afirmar com 100% de certeza quem venceu a eleição. A reportagem da Folha, porém, lembra que os dois candidatos ampliaram suas votações no segundo turno: Lula recebeu 10,3 milhões de votos a mais, enquanto Flávio ganhou 3,7 milhões.




O senador afirmou que o Partido Liberal (PL) pretende pedir a cassação da chapa Lula-Alckmin por abuso de poder econômico. A argumentação deve se concentrar em medidas anunciadas ou adotadas pelo governo durante a campanha, como benefícios sociais e programas de transferência de renda. Assim, embora insista em suspeitas de fraude na votação, Flávio admite que a estratégia jurídica será outra.
Na entrevista, concedida em Miami, nos Estados Unidos, o senador retomou o discurso de contestação às instituições e afirmou que o Brasil não vive uma democracia plena. Segundo ele, o Supremo Tribunal Federal (STF), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a Polícia Federal e o Ministério Público Federal estariam aparelhados pelo governo. Flávio justificou sua saída do país como uma forma de não se submeter ao que chamou de “processo ditatorial comandado pelo ministro Alexandre de Moraes”.
A crítica ao TSE também ignora que, na data da entrevista, o tribunal era presidido por Kassio Nunes Marques, indicado por Jair Bolsonaro ao STF. O vice-presidente era André Mendonça, também escolhido pelo ex-presidente.
O senador também criticou a decisão do pai de voltar ao Brasil em 2023, após passar três meses nos Estados Unidos. Jair Bolsonaro foi condenado pelo STF por tentativa de golpe de Estado e está preso. “Eu aprendo com os erros e os acertos do presidente Bolsonaro, e não vou cometer o mesmo erro”, afirmou Flávio, ao justificar por que não pretende retornar ao país nas atuais circunstâncias.
Versões sobre Lula e o STF
Ao comparar sua situação com a do presidente, Flávio afirmou que Lula havia sido condenado em primeira e segunda instâncias, pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e pelo STF. A afirmação é falsa: Lula não foi condenado pelo Supremo. As condenações impostas pela Justiça Federal no Paraná foram anuladas pelo STF em 2021, por questões de competência e parcialidade do então juiz Sergio Moro.
O senador também defendeu o impeachment de Alexandre de Moraes, citando, entre outros motivos, as relações da mulher do ministro com o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Questionado sobre Kassio Nunes Marques, indicado por seu pai ao Supremo e também mencionado em questionamentos relacionados ao banco, Flávio disse que apoiaria o impeachment de qualquer ministro que descumprisse a lei. Afirmou, porém, não ter opinião sobre o caso porque não havia pedido a considerar, embora a própria reportagem registre a existência de pedidos de impeachment contra Kassio.
