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Daniel Vorcaro nega ter oferecido vantagem a servidor do Banco Central

Daniel Vorcaro nega ter oferecido vantagem a servidor do Banco Central

Daniel Vorcaro afirmou à Polícia Federal que autorizou o envio de recursos para um projeto social relacionado ao ex-chefe de Supervisão Bancária do Banco Central, Belline Santana. O banqueiro, porém, negou ter concedido qualquer “vantagem” ao servidor, que é investigado por uma suposta atuação favorável aos interesses do Banco Master dentro da instituição.

Durante a oitiva, realizada por videoconferência na Papudinha, onde está preso no âmbito da Operação Compliance Zero, Vorcaro foi questionado sobre possíveis repasses financeiros ou de imóveis a Belline. Ele negou qualquer benefício direto e explicou que o servidor havia comentado sobre uma iniciativa voltada à inclusão de jovens negros em posições de liderança no sistema financeiro.

Projeto social entrou no depoimento

A oitiva ocorreu em 28 de agosto de 2026. Vorcaro estava acompanhado dos advogados Sérgio Leonardo, Daniel Bialski e Thiago Machado. Ao falar sobre o projeto, o banqueiro relatou que já tinha histórico de apoio a iniciativas sociais, principalmente voltadas a crianças e jovens.

“Eu sempre tive ações sociais que apoiei, principalmente de crianças e jovens. Fui membro da Brazil Foundation. Quando ele menciona sobre isso, acaba caminhando a conversa sobre ações sociais, ele menciona que tinha interesse de poder realizar projetos sociais ligados a esse tema, que ele atuava para trazer jovens negros para lideranças financeiras. Isso me chama atenção”, declarou no depoimento.

“Por isso, quando o delegado pergunta se eu fiz transferência direta de vantagem econômica ao Bellini, não houve, a resposta é não. Porque houve, sim, o interesse em apoiar esse projeto e que acabou sendo dado em sequência”, acrescentou.

Segundo Vorcaro, ele repassou ao cunhado, Fabiano Zettel, a informação de que havia interesse em desenvolver a iniciativa. O banqueiro afirmou, entretanto, que não acompanhou “os detalhes” do projeto e apenas determinou que fossem destinados recursos para sua execução.

Ao ser questionado sobre o montante, Vorcaro afirmou que “não se recorda” do valor e disse ter visto a quantia nos documentos do processo. “Eu não me lembro se eram R$ 2 [milhões] ou R$ 4 milhões, que era mais ou menos o que eu colocava em cada um dos projetos sociais”, disse.

Durante o depoimento, a PF apresentou ao banqueiro mensagens retiradas de seu celular. Em uma delas, Belline afirmava que “não recebeu o e-mail”. Em outra conversa, Fabiano Zettel encaminhava um arquivo chamado “carta – Projeto Inserção de Jovens”.

Vorcaro, então, teria respondido encaminhando o endereço eletrônico de Belline e indicando como o material deveria ser enviado para que o servidor recebesse a versão final da proposta.

“Primeiro, não me recordo dos diálogos. Mas, vendo ali, corrobora o que eu falei: o pontapé inicial eu pedi para ser dado e após ali eu não acompanhei mais”, declarou.

Questionado sobre a ausência de seu nome ou de empresas diretamente ligadas a ele no contrato de repasse dos recursos, Vorcaro explicou que mantinha empresas em parceria com o cunhado e que os valores destinados aos projetos eram estabelecidos pelas próprias instituições.

Segundo o banqueiro, o contrato foi firmado pela empresa Super. “A Super não era ligada a mim. Em momento posterior, de reestruturação com meu cunhado – e estava em processo na compra do Master, estava em estruturação de holding –, então ela passou a ser ligada efetivamente vinculada a mim a partir dessa data”, declarou.

O delegado da PF responsável pela oitiva, Alberto Paulo Sérvio de Moura, também apresentou outras mensagens encontradas no celular de Vorcaro. Em uma conversa de outubro de 2023, Zettel afirmou que precisava pagar “a primeira” parcela relacionada a Belline. Vorcaro orientou o cunhado a fazer o pagamento por meio de uma empresa que não tivesse ligação com Zettel.

“Pelo fato de [Belline] ser do Banco Central, de fato tinha cuidado maior de que os fatos não transparecessem que era outra realidade”, declarou Vorcaro.

“Esse fato do investimento no projeto social, essas conversas, nunca se confundiu ou têm relação fática ou contextual do Banco Master e supervisão”, acrescentou.

O proprietário do Banco Master também negou ter solicitado ou recebido “qualquer benefício” de Belline.

Vorcaro ainda foi questionado sobre sua relação com Paulo Sérgio de Moura, ex-diretor de Fiscalização do Banco Central. Ele afirmou conhecer o servidor desde 2017, quando começou o processo para aquisição do Banco Máxima, instituição que posteriormente passou a se chamar Banco Master.

Ao ser perguntado se, desde aquele período, Paulo Sérgio “faz esse trabalho” para ele, Vorcaro respondeu: “O Paulo Sérgio nunca fez trabalho para mim, nenhum membro do Banco Central”.

“Na realidade, a interação com a supervisão, não somente com o Paulo Sérgio, mas com outros membros, ela é constante, acho que de todos os bancos, acho não, com certeza de todos os bancos, no caso do Banco Máxima, na época era mais intensa por questões da reestruturação”, declarou.

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