A Conferência Geral de Pesos e Medidas (CGPM) aprovou, em 15 de outubro de 2026, uma resolução que prevê a adoção de uma escala contínua para o Tempo Universal Coordenado (UTC), padrão utilizado internacionalmente para definir o horário civil em grande parte do mundo. A alteração está prevista para entrar em vigor em 20 de maio de 2027 e eliminará a necessidade de acrescentar ou retirar segundos para corrigir diferenças na medição do tempo.
A decisão foi registrada na Resolução 5, aprovada durante a 28ª reunião da conferência, realizada entre 13 e 15 de outubro, em Versalhes, na França. O documento foi divulgado pelo BIPM, instituição internacional responsável pela manutenção e coordenação do UTC.
Entenda o que muda na medição do tempo
Atualmente, os segundos intercalares são empregados para aproximar o UTC do UT1, escala baseada na rotação da Terra. Como a velocidade de rotação do planeta varia ligeiramente, as duas referências podem se afastar ao longo dos anos, exigindo correções pontuais para manter a correspondência entre o horário oficial e a posição da Terra em sua rotação.
Com a nova regra, a diferença entre UT1 e UTC poderá chegar a 3.600 segundos, o equivalente a uma hora. Conforme estabelecido na resolução, esse limite permitirá manter a continuidade do sistema de referência temporal por vários séculos, reduzindo a necessidade de intervenções periódicas na escala oficial.
A CGPM também ressaltou que a sincronização precisa dos relógios é fundamental para o funcionamento de diferentes setores. Redes de telecomunicações, sistemas de distribuição de energia, operações de transporte e atividades espaciais dependem de referências temporais consistentes. A inclusão de segundos intercalares pode gerar divergências entre sistemas que adotam procedimentos distintos para processar esses ajustes.
Outro ponto mencionado no documento foi uma avaliação realizada em março de 2025 por especialistas em rotação terrestre. O encontro foi organizado pelo Comitê Consultivo de Tempo e Frequência (CCTF) e pelo Serviço Internacional de Rotação da Terra e Sistemas de Referência (IERS). Na ocasião, os participantes estimaram em 30% a probabilidade de que fosse necessário introduzir um segundo intercalar negativo até 2035.
A resolução também prevê a continuidade do trabalho do BIPM em conjunto com organizações internacionais e institutos nacionais de metrologia. O objetivo é orientar os usuários sobre a transição e auxiliar na implementação do novo sistema de medição do tempo.
Além disso, o órgão deverá monitorar a evolução da diferença entre UT1 e UTC e apresentar atualizações periódicas ao Comitê Internacional de Pesos e Medidas (CIPM). O acompanhamento será importante para avaliar os efeitos da mudança e garantir que os setores dependentes de sincronização temporal possam se adaptar às novas regras.
