A saúde sexual reflete o equilíbrio entre corpo, mente e emoções. Essa é a avaliação do sexologista e terapeuta sexual João Borzino, que, em entrevista à revista Ela, discutiu como as exigências da vida moderna impactam o desejo sexual. Jornadas de trabalho extenuantes, prazos curtos e a pressão por resultados constantes criam um ambiente propício ao estresse e à exaustão, prejudicando não apenas o bem-estar geral, mas também a libido de muitos casais.
Borzino alerta que a libido, definida como a energia vital que sustenta o desejo sexual e fortalece a conexão emocional e física entre parceiros, sofre influências de fatores fisiológicos, psicológicos e comportamentais. “Cuidar da libido é essencial para fortalecer os vínculos e melhorar a qualidade de vida”, afirma.



Os fatores que moldam a libido
O especialista detalha como diferentes elementos impactam o desejo sexual:
- Fatores fisiológicos: Hormônios, como a testosterona, são cruciais tanto para homens quanto para mulheres, enquanto neurotransmissores como dopamina e serotonina regulam o desejo. Desequilíbrios hormonais ou alterações no sistema nervoso central podem reduzir significativamente a libido.
- Fatores psicológicos: A autoestima, a saúde mental e as experiências de vida moldam a percepção individual da sexualidade. O estresse crônico e a ansiedade, comuns no cenário atual, são grandes inimigos do desejo sexual.
- Fatores comportamentais: Hábitos saudáveis, como uma alimentação balanceada, prática de exercícios físicos e sono de qualidade, são determinantes para manter uma vida sexual ativa e satisfatória.
Como o estresse afeta homens e mulheres
Borzino explica que o estresse crônico eleva os níveis de cortisol no corpo, o que interfere na produção de testosterona e nos neurotransmissores ligados ao desejo sexual. Homens e mulheres, no entanto, reagem de maneiras distintas a essa sobrecarga:
- Nos homens: A queda da libido pode vir acompanhada de disfunção erétil, tornando o problema ainda mais complexo.
- Nas mulheres: A redução do desejo e dificuldades de excitação são as manifestações mais comuns. Além disso, a sobrecarga emocional e doméstica agrava esses efeitos.
Estratégias para preservar a saúde sexual
Para lidar com os impactos do estresse sobre a libido, Borzino recomenda uma abordagem que integra corpo e mente:
- Gerenciamento de tempo: Evite sobrecargas profissionais e delegue tarefas sempre que possível.
- Prática de exercícios físicos: Atividades regulares ajudam a aliviar o estresse, aumentam a produção de dopamina e promovem o bem-estar.
- Qualidade do sono: O descanso adequado é indispensável para manter o equilíbrio emocional e hormonal.
- Terapia sexual: Sessões com profissionais especializados ajudam a superar bloqueios e resgatar a conexão com o parceiro.
Em um mundo cada vez mais acelerado, a saúde sexual precisa ser vista como parte essencial do bem-estar. Adotar medidas para proteger a libido é um investimento não apenas na vida íntima, mas também na qualidade de vida como um todo.
