Na manhã desta segunda-feira (16), dados revelados pelo setor cafeeiro apontam que o preço do café torrado e moído no Brasil acumulou uma alta de 98,4% desde janeiro de 2023. A elevação nos preços tem impacto direto no bolso do consumidor, com xícaras de café expresso chegando a R$ 10 nas padarias. As informações são do UOL.
Os especialistas afirmam que a perspectiva de queda só deve se concretizar em 2026, e dificilmente os valores retornarão aos níveis anteriores. Segundo dados do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), a alta é resultado de 17 meses consecutivos de aumento nos valores, sendo 4,6% apenas em maio.





Como reflexo, o consumo também caiu. Em abril deste ano, a queda nas compras de café foi de 16% em relação ao mesmo mês de 2024, de acordo com levantamento da Abic (Associação Brasileira da Indústria de Café). Nos primeiros quatro meses de 2025, o recuo acumulado é de 5%.
Oferta menor e clima instável influenciam preços
A elevação expressiva do preço do grão tem origem em uma série de fatores. De acordo com Vanusia Nogueira, diretora-executiva da OIC (Organização Internacional do Café), o mercado enfrenta uma “tempestade perfeita”, que envolve alterações climáticas nas principais regiões produtoras, problemas logísticos e crescimento da demanda internacional, sobretudo na China.
“Irregularidades climáticas em regiões produtoras-chave, como secas prolongadas ou chuvas intensas no período de florada, limitaram a oferta. Do lado logístico, apesar de algumas melhorias, ainda enfrentamos atrasos no transporte e custos elevados de frete”, explica Nogueira.
Outro fator é o aumento dos custos de produção e as incertezas da economia global, que contribuem para a instabilidade dos preços no mercado internacional.
Redução pode depender das próximas safras
Embora haja possibilidade de correções pontuais no curto prazo, a queda significativa nos preços só deve ocorrer em 2026, segundo a OIC. Isso dependerá diretamente do desempenho das próximas colheitas, sobretudo no Brasil e no Vietnã, que lideram a produção global do grão.
“Se o clima colaborar e as condições logísticas continuarem melhorando, podemos ver uma redução gradual”, afirma Vanusia. Ainda assim, não há garantias de que os valores voltarão ao patamar pré-crise. Até lá, o consumidor brasileiro deve continuar sentindo o impacto direto no bolso.
