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Israel x Irã: entenda o que significa a entrada dos EUA no conflito

Conflito entre Israel e Irã se intensifica e coloca os EUA no centro da tensão global.
Trump (foto Reprodução Redes Sociais)

Trump (foto Reprodução Redes Sociais)

Desde o dia 13 de junho, Israel e Irã vêm trocando ataques diretos em uma escalada sem precedentes na já tensa relação entre os dois países. O estopim mais recente veio com uma operação anunciada pelos militares israelenses, cujo objetivo foi atingir instalações nucleares iranianas. A resposta de Teerã foram disparando mísseis contra cidades estratégicas como Tel Aviv, Haifa e Jerusalém. As informações são do G1.

Os números oficiais já apontam mais de 240 mortos e milhares de feridos entre os dois lados, mas organizações independentes alertam que os números podem ser ainda maiores.

Em meio ao caos, os Estados Unidos reforçam seu apoio a Israel. Em fevereiro, o ex-presidente Donald Trump, que retomou a política de “pressão máxima” sobre o Irã, já havia sinalizado que um fracasso nas negociações poderia culminar em ação militar conjunta com o governo israelense. E, dois dias antes dos ataques mais recentes, declarou que tomaria uma decisão “em até duas semanas”.

Segundo o cientista político Maurício Santoro, professor e pesquisador do Centro de Estudos Político-Estratégicos da Marinha do Brasil, um eventual ataque norte-americano ampliaria dramaticamente o conflito: “Um ataque americano representaria um aumento muito grande da escala desse conflito.”

A professora Priscila Caneparo, doutora em Direito Internacional, compartilha a mesma preocupação: “A entrada dos EUA pode provocar um conflito ainda mais sangrento, com mortes de civis”. Para ela, os Estados Unidos são a única nação com real capacidade bélica para desmantelar o programa nuclear iraniano. “Os Estados Unidos são os únicos atores competentes que teriam o poder num contexto mundial para neutralizar o programa nuclear iraniano, já que possuem artilharia para tanto, diferentemente de Israel.”

Pressão política interna para Trump

Mas o movimento também traz implicações no front doméstico dos EUA. Caneparo lembra que uma ofensiva militar pode colidir com as promessas de campanha do ex-presidente Trump: “A sociedade civil quer um afastamento de problemas justamente correlacionados à guerra, até porque o Trump falou que não iria gastar dinheiro com isso, mas que se preocuparia com problemas internos dos Estados Unidos.”

Ela ainda avalia que esse tipo de incoerência pode desgastar sua imagem com o eleitorado. “Acho que vai pegar muito mal para ele, em uma perspectiva de não corresponder ao que seus eleitores e a sua base eleitoral estão justamente esperando dele.”

Gunther Rudzit, professor da ESPM, acredita que o impacto eleitoral, no entanto, pode ser mais contido. Segundo ele, o eleitorado ligado ao movimento “Make America Great Again” tende a ser mais flexível. “Ele tem um controle sobre a maior parte desse eleitorado do movimento MAGA. Eu não me surpreenderia que, se ele agir militarmente contra o Irã e criar toda uma nova narrativa, o eleitorado aceite isso.”

Consequências para o Irã

Para os especialistas, a entrada direta dos EUA no conflito não só enfraqueceria o programa nuclear do Irã, como colocaria o próprio regime dos aiatolás em xeque. “Se o regime sobreviver a essa guerra, vai sair muito fragilizado. Existe um descontentamento muito grande da população, que pede por reformas e mudança política”, avalia Santoro.

Caneparo alerta para os efeitos colaterais: “Grupos como Hamas, os Houthis e o Hezbollah não são facilmente destruídos porque são ideias. E, a partir do momento em que os EUA se envolvessem nesse conflito diretamente, essas ideias se fortaleceriam dentro da população civil, não apenas no Irã, mas em boa parte do mundo árabe no Oriente Médio.”

Reflexos globais

A possibilidade de um conflito mais amplo preocupa não só pelas vidas em risco, mas também pelo impacto econômico global. O Irã já ameaçou fechar o Estreito de Ormuz, um dos corredores marítimos mais importantes do mundo para o transporte de petróleo. “Isso faria com que o preço do petróleo disparasse globalmente. Provocaria um aumento expressivo”, alerta Santoro.

Caneparo destaca que até países aliados do Irã, como China e Rússia, sairiam prejudicados com uma guerra aberta. “O impacto global não necessariamente vai ser militar, mas vai ser muito mais de pressão em relação ao que está acontecendo ali naquela região.”

Sobre a posição chinesa, Santoro acrescenta: “Não me parece que o governo Xi Jinping iria fazer nenhum tipo de manobra arriscada, mesmo que perdesse esse aliado no Golfo Pérsico. Tem muita coisa em jogo ali.”

Um futuro incerto

Apesar da capacidade bélica norte-americana, o envolvimento direto dos EUA pode trazer mais instabilidade do que soluções. “Com certeza seria um conflito muito sangrento. Teria bastante baixas civis, tamanha a capacidade de destruição dos Estados Unidos, vide o que aconteceu na guerra do Afeganistão e, principalmente, na guerra do Iraque”, alerta Caneparo.

Ainda assim, Rudzit acredita que uma ação militar americana, se limitada a bombardeios aéreos, não geraria mobilizações internas em larga escala: “Os protestos devem crescer, principalmente entre os democratas, mas não acredito que chegue a um ponto que consiga levar milhões a marcharem sobre Washington.”

alfinetei

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