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Saiba os principais produtos afetados pelas tarifas de Trump em cada país

Brasil pode ser atingido com taxa de 50% em alguns setores.
Saiba os principais produtos afetados pelas tarifas de Trump em cada país

No sábado, 12 de julho, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enviou notificações formais a 24 países e à União Europeia com o aviso de que haverá aumento nas tarifas de importação caso não sejam fechados novos acordos comerciais até 1º de agosto. As tarifas propostas variam em relação às anunciadas em abril, quando Trump apresentou seu plano de tarifas “recíprocas”. Desde então, diversos países já enfrentam uma tarifa mínima de 10% sobre as exportações destinadas ao mercado americano, além de cobranças específicas para determinados setores.

Entre os países afetados estão aliados históricos dos EUA, como Canadá e Japão, e parceiros comerciais relevantes, como Brasil, Índia e México. A medida faz parte da estratégia do governo americano para pressionar os países a reequilibrar os fluxos comerciais considerados desvantajosos para os Estados Unidos.

Brasil pode ativar lei de reciprocidade

Para o Brasil, o novo percentual sugerido foi de 50%, com impacto direto sobre exportações de petróleo, café, suco e produtos siderúrgicos. Apesar de não ter sido listado na rodada anterior de tarifas recíprocas, o país já vinha sendo taxado com a alíquota básica de 10% nos últimos três meses.

“Os Estados Unidos tiveram superávit comercial de mais de US$ 410 bilhões com o Brasil nos últimos 15 anos”, afirmou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que também mencionou a possibilidade de acionar a legislação brasileira de reciprocidade econômica, o que permitiria a suspensão de acordos comerciais em vigor.

Reações e ajustes nos países afetados

Na Ásia, Myanmar terá tarifa de 40%, menor que os 44% estipulados anteriormente. Segundo o major-general Zaw Min Tun, o país pretende buscar uma solução por meio de negociação. Laos e Camboja, que também enfrentam taxas de 40% e 36%, respectivamente, manifestaram intenção semelhante. “Conseguimos reduzir de 49% para 36% e estamos prontos para uma nova rodada de negociações”, afirmou Sun Chanthol, negociador do Camboja.

A Tailândia, com tarifa mantida em 36%, submeteu nova proposta aos EUA no domingo, oferecendo abertura de mercado a produtos agrícolas e industriais americanos, além de mais importações de aeronaves e energia. Bangladesh, que enfrentará uma alíquota de 35%, expressou preocupação com a competitividade do setor têxtil. “Esperamos negociar um resultado melhor”, disse Salehuddin Ahmed, conselheiro do governo.

O Canadá, por sua vez, foi surpreendido com um aumento de tarifas para 35% em bens fora do acordo norte-americano. “Vamos continuar trabalhando por um entendimento antes do prazo”, publicou o primeiro-ministro Mark Carney no X.

Europa e Oriente Médio também são alvo

A União Europeia teve a tarifa elevada para 30%, afetando setores como medicamentos, bebidas alcoólicas, automóveis e aeronaves. Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, declarou que as tarifas afetam cadeias produtivas essenciais. “Estamos prontos para negociar, mas preparados para aplicar contramedidas”, afirmou.

O Iraque terá tarifa de 30%, redução em relação aos 39% anteriores. A Líbia enfrentará taxa semelhante, impactando principalmente produtos derivados de petróleo.

América do Norte e África sentem impacto

O México passará a lidar com uma tarifa de 30% sobre produtos que não se enquadram no tratado comercial com EUA e Canadá. Itens como veículos, caminhões, petróleo e alimentos estão entre os mais exportados.

Na África do Sul, a presidência criticou a política tarifária americana. “Essas tarifas distorcem o comércio bilateral”, informou em comunicado. O país manteve a tarifa de 30% e apresentou uma nova proposta em maio para tentar um acordo mais equilibrado.

Outros países atingidos

Sri Lanka, Brunei, Moldávia, Japão, Casaquistão, Malásia, Coreia do Sul, Tunísia e Filipinas também estão na lista, com tarifas variando de 20% a 30%. O Japão foi um dos que se manifestaram publicamente. “Consideramos essa decisão extremamente lamentável”, disse o primeiro-ministro Shigeru Ishiba, que reforçou o desejo de manter o diálogo aberto.

A Malásia informou que agendou reunião ministerial para quarta-feira com o objetivo de avançar nas negociações com os americanos. Já a Coreia do Sul afirmou que intensificará os esforços diplomáticos para fechar um acordo antes da aplicação das tarifas.

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