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Botar a raiva para fora é a melhor solução? Descubra

Pesquisa mostra que técnicas de respiração, meditação e atenção plena funcionam melhor que desabafos explosivos
Botar a raiva para fora é a melhor solução? Descubra

Uma revisão científica publicada na revista Clinical Psychology Review apresentou novos dados sobre como lidar com a raiva. O trabalho reuniu informações de 154 estudos, com 184 grupos independentes e mais de 10 mil participantes, analisando atividades que aumentam ou reduzem a excitação emocional. O resultado foi claro: em vez de liberar a raiva por meio de explosões, o mais eficaz é acalmar o corpo e reduzir a agitação fisiológica.

Segundo os pesquisadores da Universidade Estadual de Ohio, a crença popular de que gritar, socar objetos ou escrever mensagens furiosas ajudaria a aliviar o sentimento é, na verdade, um mito. Essas práticas apenas reforçam o ciclo de irritação e podem trazer impactos negativos para a saúde mental coletiva.

O que a ciência descobriu sobre a raiva

O estudo apontou “que a redução da excitação fisiológica pode efetivamente reduzir a raiva e a agressividade, enquanto o seu aumento não”. Isso não significa, no entanto, que a raiva deva ser reprimida ou ignorada. A orientação é compreender as causas, validar a emoção e buscar soluções para o problema, sem se prender a ruminações destrutivas.

De acordo com os pesquisadores, estratégias que reduzem a excitação — como respiração profunda, relaxamento muscular, atenção plena, ioga e meditação — mostraram-se eficazes tanto em experimentos de laboratório quanto na vida real. O levantamento reuniu diferentes perfis de participantes, incluindo universitários, pessoas comuns, indivíduos com histórico criminal e pessoas com deficiências.

A conclusão contraria décadas de crença no chamado efeito catarse. “Eu queria desmascarar toda a teoria de expressar raiva como forma de lidar com isso”, explicou Sophie Kjærvik, primeira autora da pesquisa.

Atividades que aumentam a excitação fisiológica, como corrida, ciclismo ou boxe, apresentaram resultados inconsistentes. Segundo os dados, em alguns casos ajudavam, em outros pioravam, mas no geral não eram eficazes. Até mesmo espaços criados para extravasar emoções, como as chamadas “salas de raiva”, inspiraram parte da análise.

Caminhos mais acessíveis para controlar emoções

Os autores ressaltaram que, embora abordagens cognitivas continuem relevantes para mudar pensamentos e interpretações, nem todos respondem bem a esse tipo de terapia. Por isso, as técnicas calmantes aparecem como alternativas simples e eficientes.

A boa notícia, disse Kjærvik, é que “você não precisa necessariamente marcar uma consulta com um terapeuta cognitivo-comportamental para lidar com a raiva. Você pode baixar um aplicativo gratuito em seu celular ou encontrar um vídeo do YouTube se precisar de orientação”.

alfinetei

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