Nesta terça-feira (16), o IBGE divulgou que a taxa de desemprego no trimestre encerrado em julho caiu para 5,6%, atingindo o menor nível da série histórica iniciada em 2012 para qualquer trimestre. O resultado superou a expectativa de analistas de mercado, que projetavam 5,7%, segundo mediana das projeções reunidas pela Bloomberg. No trimestre encerrado em abril, a taxa estava em 6,6%. As informações são do O Globo.
O levantamento da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua também mostrou que a população ocupada, ou seja, o total de trabalhadores no país, alcançou 102,4 milhões, registrando novo recorde. O crescimento foi puxado pelo emprego com carteira assinada, que atingiu 39,1 milhões de pessoas, maior número desde o início da série histórica.



Crescimento de emprego e renda
O número de trabalhadores por conta própria chegou a 25,9 milhões, também em patamar recorde, com alta de 1,9% em relação ao trimestre anterior, equivalente a 492 mil pessoas. O contingente de desempregados caiu para 6,1 milhões, menor total desde o último trimestre de 2013.
William Kratochwill, analista do IBGE, afirmou: “Esses indicadores demonstram que as pessoas que deixaram a população desocupada não estão se retirando da força de trabalho ou caindo no desalento, elas estão realmente ingressando no mercado de trabalho, o que é corroborado pelo recorde na ocupação.”
O rendimento médio mensal subiu para R$ 3.484, alta de 1,3% em relação ao trimestre anterior e de 3,8% frente a igual período de 2024. A massa de rendimento real habitual atingiu R$ 352,3 bilhões, também em nível histórico.
O aumento da ocupação foi puxado pelo setor de administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais, que adicionou 522 mil pessoas ao mercado, crescimento de 2,8%. Dentro desse eixo, a educação, especialmente pré-escola e ensino fundamental, representou cerca de 41% do avanço. Agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura registraram crescimento de 2,7%, com 206 mil ocupados a mais, enquanto informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas subiram 2%, com acréscimo de 260 mil pessoas.
Apesar do aumento da ocupação, a população fora da força de trabalho permaneceu em 65,6 milhões, mantendo estabilidade em relação às comparações anteriores.
A taxa de informalidade caiu para 37,8%, ligeiramente abaixo do trimestre anterior (38%) e do mesmo período de 2024 (38,7%). O número de trabalhadores sem carteira, porém, teve leve alta, chegando a 38,8 milhões. Kratochwill explicou: “O crescimento da parcela informal da população ocupada foi marginal, sem significância estatística, no entanto a parcela formal continuou a crescer, promovendo uma redução significativa neste indicador.”
Analistas destacam que os recordes do trimestre encerrado em julho evidenciam um mercado de trabalho aquecido, com salários elevados e alta ocupação. Claudia Moreno, economista do C6 Bank, projeta que a taxa de desemprego seguirá em queda e encerre o ano próxima de 5,5%.
A especialista também alerta para o impacto do aumento da renda no consumo das famílias, pressionando a inflação, e prevê manutenção da Selic em 15% até o fim de 2025, com espaço para redução a partir de março de 2026, quando a taxa pode chegar a 13%.
