O caso da mala que chocou Porto Alegre voltou a ganhar desdobramentos nesta terça-feira (16), com novas informações sobre o destino macabro do corpo de Brasília Costa, 65 anos. Segundo a Polícia Civil e o Instituto Geral de Perícias (IGP), os restos mortais da vítima foram mantidos dentro de uma geladeira na pousada onde ela estava com o suspeito, antes de serem espalhados por diferentes regiões da cidade.
“Ele guardou o corpo dentro de uma geladeira que ficava no quarto dela [da vítima]”, afirmou o delegado Mário Souza. O namorado da vítima, Ricardo Jardim, 66 anos, está preso preventivamente desde o início do mês e, em depoimento, negou ter cometido o homicídio, alegando apenas ter descartado os restos mortais.

As investigações revelaram que Brasília já estava morta quando foi esquartejada. “As lesões não têm sinais vitais. Ela já estava morta quando foi esquartejada. A gente ainda não tem dados concretos para poder estabelecer qual foi a causa mortis. Nós esperamos que quando encontrar a parte restante [o crânio] a gente possa complementar através da análise do todo”, explicou o diretor-geral do IGP, Paulo da Cruz Barragan. Por isso, as buscas agora se concentram na localização do crânio, considerada etapa crucial para a conclusão do caso.
A apuração também detalhou compras feitas por Jardim entre 8 e 14 de agosto, todas pagas em dinheiro. O suspeito adquiriu uma serra tipo arco, luvas, lonas, sacos plásticos e fitas adesivas. No dia 14, comprou a mala usada para transportar o tronco da vítima, que foi deixada posteriormente no guarda-volumes da Estação Rodoviária da capital. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que ele abandonou o objeto. “No dia 14 de agosto ele comprou uma mala, nova, grande, que é a mala que ele utilizou para carregar a maior parte do corpo da Dona Bia. É a mala da rodoviária”, detalhou o delegado Souza.
Busca pelo crânio
Atualmente, a Polícia Civil concentra as buscas em aterros sanitários e depósitos de resíduos da cidade, pois o acusado afirmou ter descartado o crânio próximo à Usina do Gasômetro. “Temos o apoio das empresas que fazem a limpeza urbana, os funcionários estão atentos para informar a Polícia Civil. Temos apoio do IGP, à disposição para ir ao local com eventual suspeita. Todas as diligências estão sendo feitas”, disse o delegado. Até agora, o tronco foi encontrado na mala, as pernas em pontos diferentes da Zona Sul, e outros restos mortais em sacolas na Zona Leste. A Defensoria Pública, que defende Jardim, afirmou que só se manifestará nos autos do processo. Em 2018, Ricardo já havia sido condenado a 28 anos por matar e concretar a mãe, mas teve progressão para o regime semiaberto em 2024.
