Um ato de “solidariedade animal” salvou a vida de um pinguim-de-magalhães em Vila Velha (ES). O animal chegou extremamente fraco ao Instituto de Pesquisa e Reabilitação de Animais Marinhos (Ipram), sofrendo com anemia severa, e só resistiu graças a uma transfusão feita com sangue doado por outro pinguim em recuperação.
O procedimento, considerado raro na medicina veterinária para aves marinhas, envolveu cerca de 15 ml de sangue e durou pouco mais de uma hora. De acordo com o supervisor veterinário Leandro Eggert e a bióloga Ana Julia Aquino, o paciente recebeu a aplicação deitado em uma almofada especial e ligado a uma bomba de infusão, que controlava a dosagem de forma gradual. Testes de compatibilidade foram realizados antes, garantindo que não houvesse risco de rejeição.

O doador, que já estava em fase avançada de reabilitação, foi o verdadeiro “herói” da vez. Segundo os especialistas, embora esse tipo de transfusão ainda seja pouco estudado em aves, os resultados vêm se mostrando muito positivos. “Esse gesto simples salvou uma vida”, reforçou a equipe, que divulgou o momento nas redes sociais para inspirar também a doação de sangue humano.
Muitos encalham, mas nem todos sobrevivem
Atualmente, o Ipram abriga 13 pinguins-de-magalhães resgatados ao longo do litoral capixaba. Muitos chegam ao centro debilitados, vítimas de encalhe, desnutrição e hipoglicemia. Os que se recuperam mais rapidamente ajudam a estimular os demais, nadando em piscinas, tomando sol e se preparando para a futura soltura em mar aberto. O convívio em grupo, destacam os especialistas, é fundamental, já que a espécie é altamente sociável.
Entre julho e setembro, 183 pinguins encalharam à costa no Espírito Santo, mas apenas 42 chegaram vivos ao instituto. Aqueles que resistem permanecem em reabilitação por até três meses antes de serem devolvidos ao oceano. O animal que recebeu a transfusão seguirá sob cuidados intensivos até estar forte o suficiente para retomar sua jornada junto aos companheiros.
