No último domingo (22/02), Nemesio Rubén Oseguera Cervantes, conhecido como “El Mencho”, morreu durante operação militar no México, encerrando uma perseguição que durou décadas contra o fundador do Cartel Jalisco Nueva Generación. A morte foi confirmada por autoridades após ação das forças de segurança, que localizaram o narcotraficante apontado como um dos criminosos mais procurados do mundo. As informações são do O Globo.
À frente do CJNG, Oseguera Cervantes expandiu uma estrutura regional até transformá-la em uma das organizações criminosas mais violentas do país. A agência antidrogas dos Estados Unidos oferecia recompensa de 10 milhões de dólares por informações que levassem à captura. A DEA classificava o traficante como principal alvo internacional.


Trajetória no crime
Natural de Michoacán, Oseguera Cervantes cresceu em família de produtores de abacate e migrou de forma irregular para os Estados Unidos na década de 1980. Em 1992, a Justiça americana condenou o mexicano por tráfico de heroína em Sacramento. Após cumprimento de pena, ocorreu deportação para o México.
De volta ao país de origem, Oseguera passou a atuar como policial municipal em Cabo Corrientes, no estado de Jalisco, segundo relatórios do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos. Investigações apontaram que a função servia como cobertura para atividades ligadas ao Cartel do Milênio. Analistas de segurança indicam que o período na corporação contribuiu para aquisição de conhecimento estratégico que mais tarde sustentou a criação de grupo próprio.
Confronto com o Estado
A fundação do Cartel Jalisco Nueva Generación, em 2010, modificou o cenário do narcotráfico mexicano. A organização passou a utilizar armamento pesado contra forças governamentais. Em 2015, integrantes do grupo derrubaram helicóptero do Exército com lançador de granadas, fato que levou o Ministério da Defesa do México a classificar o CJNG como ameaça à segurança nacional.
O comando do cartel concentrou esforços na produção e distribuição de drogas sintéticas. Relatos da imprensa internacional apontaram Oseguera Cervantes como o “rei do fentanil”, substância associada à crise de opioides nos Estados Unidos.
Nos anos mais recentes, reportagens investigativas indicaram agravamento do quadro de insuficiência renal crônica. Informações divulgadas por veículos da América Latina relataram construção de hospital clandestino em área de mata no estado de Jalisco para realização de diálise sem exposição às autoridades.
