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MPF abre investigação sobre trend misógina nas redes sociais; VEJA

Vídeos mostram criadores de conteúdo encenando agressões após rejeição em relacionamentos
MPF abre investigação sobre trend misógina nas redes sociais; VEJA

O Ministério Público Federal anunciou na terça-feira (10/03) a abertura de investigação sobre vídeos misóginos que circulam nas redes sociais com o nome “quando ela diz não”. O conteúdo aparece principalmente na plataforma TikTok e apresenta encenações de agressões contra mulheres após suposta recusa em relacionamentos. As informações são do O Globo.

A apuração foi encaminhada pelo procurador federal dos Direitos Humanos Nicolao Dino ao Procurador Regional dos Direitos do Cidadão no Distrito Federal. O procedimento também seguiu para o Grupo de Atuação Especial no Combate aos Crimes Cibernéticos para análise e eventual adoção de medidas adicionais.

Autoridades apontam risco de incentivo à violência de gênero

Nicolao Dino comentou o impacto da circulação desse tipo de material no ambiente digital. “Os conteúdos contribuem para a naturalização simbólica da agressão de gênero e fortalecem discursos de ódio no ambiente digital, tornando urgente a avaliação do papel das empresas de tecnologia na moderação dessas veiculações”.

A Diretoria de Crimes Cibernéticos da Polícia Federal também iniciou investigação sobre usuários que publicaram vídeos ligados à tendência. A medida ocorreu após acionamento da Advocacia-Geral da União.

Os vídeos mostram criadores de conteúdo encenando abordagens românticas, como pedidos de namoro ou casamento. Após a frase “treinando caso ela diga não” aparecer na tela, os participantes simulam reações violentas diante da possibilidade de rejeição.

A Advocacia-Geral da União informou que as publicações surgiram inicialmente em quatro perfis do TikTok. A plataforma removeu essas contas posteriormente.

Segundo avaliação do órgão, os responsáveis pelas publicações podem responder por incitação a crimes de gênero. A AGU declarou no posicionamento oficial: “a circulação sistemática de conteúdo misógino em plataformas digitais representa ameaça concreta aos direitos fundamentais das mulheres”.

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