As investigações sobre a morte da soldado Gisele Alves Santana ganharam novos desdobramentos após a divulgação de diálogos que mostram o clima de tensão no momento em que policiais tentavam preservar o local do crime, em um apartamento no centro de São Paulo.
O principal foco é o comportamento do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, que insistiu em entrar no imóvel mesmo após orientações para aguardar a perícia. A atitude chamou atenção dos agentes, que demonstraram preocupação com a preservação de provas.






Diálogos revelam preocupação com preservação da cena
Segundo o inquérito, os policiais tentaram impedir a entrada do oficial para evitar qualquer alteração no ambiente. Ainda assim, ele avançou, ignorando recomendações, inclusive de autoridades presentes.
Confira os diálogos registrados, mantidos na íntegra:
CB: O senhor não saiu do banho agora? O senhor falou que estava tomando banho.
TC Neto: Irmão, eu entrei no banho (ligou o chuveiro) eu tava aqui tomando banho, dai eu escutei o barulho e eu abri a porta, quando abri eu vi minha esposa, peguei essa bermuda que tava aqui em cima, vesti a cueca e a bermuda, que eu não cheguei a tomar banho, eu nem fiz a barba ainda ó, a barba eu faço durante o banho, fazia um minuto que eu tava em baixo do chuveiro irmão.
CB: É que o senhor sabe da burocracia que é né, você sabe da burocracia que é na PM, então quanto mais rápido agilizar se o senhor puder só colocar uma camiseta.
TC Neto: Irmão, eu tenho 34 anos de serviço. Eu sei o que eu to falando. Eu vou tomar banho, irmão.
CB: O senhor não quer colocar uma camiseta e um short rapidinho.
TC Neto: Não eu não vou, eu não tô bem para ir assim, eu vou tomar um banho.
CB (para Capitão): O cara vai lavar a mão, caralho.
CB: ele vai fazer residuográfico antes né?
Tenente: depende do que o perito falar, eu não vi nada.
CB: vai deixar ele tomar banho e tudo?
Tenente: ah, não tem como ele ir assim.
CB: se tomar banho vai perder tudo os baguio [vestígios] da mão, e as conversas dele tá estranha… porque se fosse um paisano a gente já arrasta pra perto…
Os trechos reforçam o receio dos agentes de que evidências importantes fossem comprometidas, especialmente resíduos que poderiam indicar disparo de arma de fogo.
Mesmo diante das advertências, o oficial entrou no apartamento e permaneceu no local, acompanhado por outros policiais que tentavam limitar sua circulação. O comportamento passou a ser considerado um ponto-chave na investigação.
Prisão e suspeitas ampliam o caso
O caso teve uma reviravolta após a prisão de Geraldo Leite Rosa Neto, acusado de feminicídio. A investigação também apura possível fraude processual, com suspeitas de interferência na cena e tentativa de construir uma versão para o ocorrido.
A vítima chegou a ser socorrida em estado grave, mas não resistiu aos ferimentos. Segundo o Ministério Público, há indícios de atitudes que levantam dúvidas sobre a dinâmica do crime.
O oficial segue preso no Presídio Militar Romão Gomes, enquanto o caso continua sendo analisado pelas autoridades.
