Nesta quinta-feira (26/03), o IBGE divulgou que o IPCA-15, considerado a prévia da inflação oficial no Brasil, avançou 0,44% em março, resultado acima das projeções do mercado financeiro e influenciado principalmente pelo aumento nos preços de alimentos. As informações são do O Globo.
O índice apresentou desaceleração em relação a fevereiro, quando marcou 0,84%, mas ficou acima da estimativa média de analistas, que apontava 0,29%, segundo levantamento da Bloomberg. No acumulado de 12 meses, a inflação atinge 3,9%, valor superior ao centro da meta estabelecida pelo Banco Central.



Alimentos lideram alta e pressionam índice
O grupo Alimentação e bebidas exerceu o maior impacto no resultado, com avanço de 0,88%. Dentro dessa categoria, os preços consumidos dentro de casa mostraram aceleração relevante ao passar de 0,09% em fevereiro para 1,10% em março.
Entre os itens com maiores aumentos estão o açaí, o feijão-carioca e o ovo, que contribuíram de forma significativa para a elevação do índice no período.
Transportes e combustíveis também influenciam cenário
O grupo Transportes apresentou variação de 0,21%, impulsionado pelo aumento das passagens aéreas, que registraram elevação próxima de 6% e tiveram o maior impacto individual no indicador. Os combustíveis mostraram estabilidade no período analisado.
O cálculo do índice não considerou o reajuste recente do diesel anunciado pela Petrobras, pois a coleta de preços ocorreu entre 13 de fevereiro e 17 de março, mesma data de início da nova tarifa.
Perspectivas indicam cautela para política monetária
Projeções divulgadas pelo Banco Central indicam que a inflação deve permanecer acima da meta ao menos até o terceiro trimestre de 2028, em um contexto de incertezas externas, incluindo tensões no Oriente Médio.
“O núcleo de serviços continua pressionado e segue rodando acima do teto do regime de metas. Sem uma desaceleração mais clara desse grupo, atingir a meta de inflação de 3% fica mais difícil”, afirma Leonardo Costa, economista-chefe da ASA.
“O cenário à frente inspira cautela, com pressão adicional vinda de combustíveis e alimentos, o que pode limitar o espaço para cortes de juros pelo Banco Central”, acrescenta o especialista.
