A Polícia Civil de São Paulo informou na quinta-feira (21/05) que a advogada e influenciadora Deolane Bezerra procurou a Delegacia Eletrônica dois dias após investigadores anexarem provas de depósitos bancários destinados a contas vinculadas ao nome da influenciadora. A apuração integra investigação sobre lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital, em São Paulo. As informações são do g1.
Segundo o relatório policial, agentes encontraram comprovantes de transferências no celular de Ciro Cesar Lemos, apontado pela investigação como operador financeiro de uma transportadora usada pela facção criminosa. O material passou a integrar os autos da Operação Lado a Lado em março de 2022.




Investigação afirma que boletim de ocorrência tentou “mascarar” depósitos
De acordo com o documento, Deolane procurou a polícia em 30 de março de 2022 e afirmou que terceiros teriam “montaram um documento falso” utilizando dados pessoais para abertura fraudulenta de contas bancárias e financeiras.
A investigação sustenta que a medida aconteceu logo após a formalização das provas relacionadas aos depósitos encontrados pela polícia. Para os investigadores, o boletim de ocorrência teria servido para tentar “mascarar” movimentações financeiras consideradas suspeitas.
O relatório também aponta que o afastamento do sigilo bancário demonstrou que as contas citadas eram utilizadas pela própria influenciadora. A investigação afirma que movimentações financeiras incompatíveis reforçam suspeitas sobre participação no esquema investigado.
Em nota, a defesa declarou que “os fatos serão devidamente esclarecidos por esta”. A investigação ainda sustenta que Deolane colocava “toda a sua estrutura financeira e aparente respeitabilidade social” à disposição da organização criminosa para circulação de recursos ilícitos.
Em manifestações anteriores, representantes da defesa negaram qualquer relação com atividades criminosas e afirmaram que os valores movimentados possuem ligação com trabalhos desenvolvidos pela influenciadora como advogada e criadora de conteúdo digital.
O relatório também menciona declarações públicas nas quais Deolane ironizou suspeitas levantadas pela investigação ao afirmar que “lhe pagam bem”.
Operação também atingiu familiares de Marcola
A operação conduzida pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil cumpriu mandados de prisão e busca contra investigados ligados ao núcleo financeiro da facção criminosa.
Além de Deolane, agentes prenderam Everton de Souza, apontado como operador financeiro do grupo. Mandados também atingiram Marcos Willians Herbas Camacho, além de familiares ligados ao chefe da facção.
Segundo a investigação, a transportadora localizada em Presidente Venceslau funcionava como estrutura para circulação de recursos financeiros e dificultava o rastreamento do dinheiro.
Na saída da sede da Polícia Civil, no Centro de São Paulo, Deolane afirmou que “A Justiça vai ser feita”. Questionada sobre suspeitas envolvendo lavagem de dinheiro para Marcola, a influenciadora respondeu que estava “trabalhando”.
Após a prisão em Barueri, na Grande São Paulo, Deolane seguiu para a Penitenciária Feminina de Santana. A audiência de custódia ficou prevista para sexta feira (22/05).
Durante as buscas, agentes também cumpriram mandados em imóveis ligados à influenciadora. O influenciador digital Giliard Vidal dos Santos e um contador também foram alvo de busca e apreensão.
