A menos de duas semanas do fim do prazo de 90 dias da prisão domiciliar humanitária temporária concedida a Jair Bolsonaro (PL), novos relatórios médicos enviados ao ministro Alexandre de Moraes descrevem um quadro marcado pela piora do ex-presidente.
Crises de soluço, necessidade de reforço medicamentoso e manutenção do acompanhamento clínico especializado foram relatados pelo cardiologista Brasil Caiado e o fisioterapeuta Kleber Caiado de Freitas. Os documentos deverão integrar a análise que definirá se o benefício será prorrogado ou encerrado.




O dado que mais chama atenção nos relatórios é a piora registrada nos dias 9 e 10 de junho.
Segundo o médico Brasil Caiado, após ajustes no tratamento, Bolsonaro apresentou melhora inicial, mas voltou a sofrer agravamento considerável das crises de soluço, exigindo a administração de doses extras de medicamentos de ação central, dentro do limite considerado seguro.
De acordo com o relatório, o ex-presidente, de 71 anos, está no 42º dia de recuperação da cirurgia realizada no ombro direito e completa três meses do diagnóstico de pneumonia broncoaspirativa.
Oscilação de equilíbrio e pulmão fraco
Brasil Caiado informa que Bolsonaro segue em acompanhamento domiciliar e que deverá ser submetido futuramente a exames específicos do trato digestivo para investigar a origem dos sintomas persistentes.
Entre os procedimentos recomendados estão endoscopia digestiva alta, manometria esofágica de alta resolução e pHmetria gástrica.
O documento também registra que Bolsonaro permanece cardiologicamente estável, com pressão arterial controlada, embora relate cansaço e fadiga em esforços moderados.
O médico ainda aponta oscilações no equilíbrio corporal e redução da ausculta pulmonar – significa que o som da respiração está mais fraco ou “abafado” – na base do pulmão esquerdo, quadro descrito como residual.
