Um estudo científico publicado no BMJ Evidence-Based Medicine fez um alerta relevante: não existe um nível seguro de consumo de álcool quando se considera o risco de desenvolver demência. O estudo, que incluiu mais de 560 mil indivíduos, mostrou que até pequenas quantidades podem afetar a saúde cerebral ao longo do tempo.
Pequenas doses também fazem diferença
Até pouco tempo, alguns estudos sugeriam que existia um limite considerado “seguro”, no qual a bebida não aumentaria o risco de determinadas doenças. Mas os resultados recentes apontam o contrário. Sabe-se, atualmente, que qualquer quantidade ingerida pode elevar a probabilidade de demência no futuro.



Richard Isaacson, neurologista, enfatizou que o álcool é prejudicial ao cérebro, independentemente da quantidade ingerida. Especialmente em indivíduos que possuem a variante genética APOE4, relacionada a um risco elevado de Alzheimer. Ademais, o modo de consumo também influencia. Consumir duas doses de uma vez, especialmente em jejum ou antes de dormir, costuma ser mais prejudicial do que pequenas quantidades diluídas em refeições.
Impacto também na saúde mental
Estudo com mais de 27 mil pessoas observou que o consumo excessivo de álcool pode agravar sintomas de depressão em idosos, especialmente após a aposentadoria. Os pesquisadores reforçam, porém, que os dados são observacionais e precisam de novas investigações.
Em 2023, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou, em artigo publicado na The Lancet Public Health: “Não existe nível de consumo de álcool que seja seguro à saúde”. A substância é classificada como carcinógena desde 2012, e seu consumo leve ou moderado já é associado a diferentes tipos de câncer.
