O elefante Shankar, conhecido como “o mais solitário do mundo”, morreu na última quarta-feira (17) aos 29 anos no zoológico de Nova Délhi, na Índia. O animal havia passado mais de uma década vivendo isolado, mesmo sendo uma espécie naturalmente social e que costuma viver em grandes manadas. Funcionários relataram que Shankar parou de se alimentar e desabou poucas horas depois, mas a causa oficial da morte ainda está sendo investigada.
Shankar chegou à Índia em 1998 como presente do Zimbábue ao então presidente indiano Shankar Dayal Sharma, acompanhado de outro elefante africano. Em 2001, perdeu seu companheiro e, desde então, nunca mais teve contato com outro elefante da mesma espécie. Tentativas de aproximá-lo de elefantes asiáticos falharam devido a comportamentos agressivos, e ele acabou confinado sozinho.

Em 2012, Shankar foi transferido para um novo recinto, onde permaneceu praticamente isolado, descumprindo a lei federal de 2009, que proíbe manter elefantes sem companhia por mais de seis meses. Segundo um ex-funcionário, o elefante era brincalhão enquanto tinha companhia, mas seu comportamento mudou drasticamente após a perda do amigo. “Ele nunca aceitou a companhia de outro elefante, nem os outros aceitavam Shankar”, contou o funcionário, que pediu anonimato.
Morte do animal revolta
A morte de Shankar provocou indignação de ativistas e do público, que criticaram a manutenção do animal em cativeiro. Tentativas de transferi-lo a um santuário foram rejeitadas pela Justiça em 2021, mantendo o elefante isolado até o fim da vida. Nas redes sociais, internautas destacaram que Shankar morreu prematuramente e sozinho, questionando a responsabilidade do zoológico e das autoridades.
Especialistas lembram que elefantes são animais altamente sociais, que desenvolvem laços fortes e sofrem em isolamento prolongado. O confinamento, além de causar sofrimento psicológico, pode levar a comportamentos autodestrutivos e comprometer a saúde física. O caso de Shankar reforça a discussão sobre os impactos do cativeiro em espécies que precisam de interação social e liberdade para se desenvolver.
